eleições 2026

A 100 dias da eleição, Lula lidera e Flávio Bolsonaro enfrenta pressão

Lula e Flávio Bolsonaro chegam a 100 dias antes do 1º turno sob impacto do caso Master, disputas no TSE e desafios com inteligência artificial

Ipolítica, com informações do g1

Lula e Flávio chegam a 100 dias do primeiro turno em cenário marcado pelo caso Master, judicialização e uso de inteligência artificial. (Roberto Jayme/TSE)

BRASÍLIA – A 100 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, Lula e Flávio Bolsonaro seguem como os principais protagonistas da disputa, segundo as pesquisas mais recentes. O cenário, porém, é marcado por novos desafios para os dois campos políticos, com reflexos das investigações do caso Master, mudanças nas estratégias de campanha e uma crescente judicialização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente nas intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta desgastes provocados pelas revelações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse e pela repercussão do caso Master. Ao mesmo tempo, aliados do governo acompanham os desdobramentos da investigação que passou a atingir o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp 

Paralelamente à disputa política, o TSE registra aumento expressivo das ações relacionadas à propaganda antecipada, ao uso de inteligência artificial e à divulgação de conteúdos manipulados nas redes sociais.

Lula e Flávio nas pesquisas

Os levantamentos mais recentes da Quaest e do Datafolha mantêm Lula na liderança da corrida presidencial. Os registros das pesquisas no TSE são BR-07661/2026 e BR-09956/2026, respectivamente.

Na pesquisa Quaest, o petista aparece com 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Já no Datafolha, Lula registra 41%, enquanto o senador soma 31%.

Os números foram divulgados após a repercussão das conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master.

Apesar da queda do senador, pesquisadores apontam que outros nomes da centro-direita ainda não conseguiram ocupar esse espaço. Governadores e lideranças como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Aécio Neves (PSDB) aparecem fragmentados nas pesquisas.

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o cenário cria um "paradoxo da direita": Flávio perde força, mas nenhum outro nome consegue consolidar uma candidatura competitiva.

Caso Master amplia pressão

O caso Master continua produzindo efeitos sobre a disputa eleitoral.

Na oposição, a investigação atingiu diretamente Flávio Bolsonaro após a divulgação de diálogos nos quais o senador solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a Quaest, a repercussão reduziu o desempenho do senador tanto nas simulações de primeiro quanto de segundo turno, principalmente entre eleitores independentes e setores da direita não identificados com o bolsonarismo.

No campo governista, a inclusão do senador Jaques Wagner entre os investigados da Operação Compliance Zero também elevou a pressão sobre o Palácio do Planalto.

Após a operação da Polícia Federal, Wagner deixou a liderança do governo no Senado, aumentando o desgaste político da base aliada.

Eleitores independentes

As campanhas passaram a concentrar esforços sobre o eleitorado independente, considerado decisivo para a eleição.

Segundo estudos da Quaest, esse grupo representa cerca de um terço do eleitorado brasileiro e reúne pessoas que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.

Nesse segmento, Lula passou a liderar as simulações de segundo turno por 37% a 24%, ampliando a vantagem sobre Flávio Bolsonaro.

TSE amplia atuação

Mesmo antes do início oficial da campanha, o TSE já registra crescimento expressivo da judicialização.

Dados da Corte apontam aumento de 335% nas representações por propaganda antecipada em comparação com o mesmo período das eleições de 2022.

Até o momento, mais de 130 ações foram protocoladas.

PT e PL concentram a maior parte dos processos, com questionamentos envolvendo propagandas eleitorais, conteúdos publicados nas redes sociais e materiais produzidos durante a pré-campanha.

Inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial tornou-se um dos principais desafios da Justiça Eleitoral.

Pelas regras aprovadas pelo TSE, conteúdos produzidos ou alterados com IA devem ser identificados de forma clara para o eleitor.

Também está proibido o uso de deepfakes capazes de simular falas, imagens ou comportamentos de candidatos com potencial para induzir o público ao erro.

O aumento das ações levou as principais campanhas a reforçar suas equipes jurídicas antes mesmo do início oficial da disputa eleitoral, previsto para 16 de agosto.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.