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Crise com Michelle pressiona Flávio Bolsonaro no eleitorado feminino

Crise com Michelle Bolsonaro amplia desafios de Flávio Bolsonaro entre mulheres e acelera discussões sobre a escolha do vice

Ipolítica, com informações de O Globo

Crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro pressiona estratégia da pré-campanha para ampliar apoio entre mulheres. (Alan Santos / PR)

BRASÍLIA – A crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser tratada por aliados como um novo obstáculo para a pré-campanha presidencial do parlamentar. Nos bastidores, integrantes da equipe avaliam que o desgaste atinge justamente uma das principais estratégias eleitorais traçadas para ampliar a candidatura além da base tradicional do bolsonarismo: conquistar mais espaço entre o eleitorado feminino.

Segundo interlocutores, o episódio também acelerou discussões sobre a definição da candidatura a vice-presidente e aumentou a pressão para que o senador e a ex-primeira-dama reconstruam a relação antes do início oficial da campanha.

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Embora aliados afirmem que a candidatura permanece viável mesmo sem uma participação ativa de Michelle, reconhecem que seu apoio facilitaria a aproximação com segmentos considerados decisivos para a disputa.

Flávio Bolsonaro busca ampliar apoio

A preocupação ocorre em um momento em que a pré-campanha tenta crescer em grupos nos quais Flávio Bolsonaro aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente entre mulheres, jovens e idosos.

Levantamentos internos e pesquisas de opinião têm orientado uma estratégia voltada para esses segmentos. Entre eles, o maior desafio está justamente no eleitorado feminino.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostrou Lula com 41% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio aparece com 24%. Outros 13% disseram ainda não ter escolhido um candidato.

Na avaliação de aliados, Michelle Bolsonaro exerce influência justamente nesse público. Desde 2023, ela preside o PL Mulher e percorreu diversos estados fortalecendo diretórios e lideranças femininas ligadas ao partido.

Um integrante da campanha resumiu a preocupação afirmando que o episódio atingiu um eleitorado que Flávio Bolsonaro "não podia perder de jeito nenhum".

Escolha da vice

A crise também antecipou uma discussão considerada estratégica pela campanha: a escolha da candidata a vice-presidente.

Antes previsto para uma etapa posterior, o tema passou a ganhar prioridade. Nos bastidores, cresce a avaliação de que uma mulher deverá compor a chapa presidencial.

Entre os nomes mencionados está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que recentemente passou a integrar a equipe responsável pela elaboração do programa econômico da pré-campanha.

Além de reforçar a presença feminina, aliados entendem que a definição antecipada da vice poderia ajudar a reduzir parte do desgaste provocado pelo conflito com Michelle.

Declarações de Michelle

A repercussão ganhou força depois que Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais relatando desentendimentos com o enteado.

Segundo a ex-primeira-dama, ela foi "desrespeitada" e "maltratada" por Flávio Bolsonaro após se posicionar contra uma articulação do PL para apoiar o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB).

Michelle afirmou que, durante uma conversa por telefone, o senador teria dito que seria melhor ela permanecer afastada das decisões partidárias e que ainda não entendia de política.

O episódio remonta ao fim do ano passado. Na ocasião, Flávio chegou a pedir desculpas publicamente, mas pessoas próximas aos dois afirmam que o mal-estar nunca foi totalmente superado.

Novos desafios

Nos bastidores, interlocutores afirmam que a nova crise se soma a outros problemas enfrentados pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Nas últimas semanas, o senador já havia reorganizado a comunicação da campanha após o desgaste provocado pelo caso Dark Horse, que levou à substituição do comando da área estratégica.

A avaliação era de que a candidatura começava a retomar o foco em propostas para economia, segurança pública e aproximação com empresários e representantes do agronegócio.

Com a divulgação do vídeo de Michelle, porém, a atenção voltou a se concentrar nos conflitos internos do grupo político.

Além da repercussão nacional, a pré-campanha ainda negocia alianças estaduais, a formação dos palanques regionais e a composição da chapa presidencial.

As convenções partidárias poderão ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, aliados avaliam que Flávio Bolsonaro precisará chegar com a estratégia de comunicação reorganizada e com a definição do vice para evitar novos desgastes durante a campanha eleitoral.

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