operação compliance zero

PF aponta vantagens a Jaques Wagner que nega irregularidades

Investigação menciona apartamento, repasses e uso de aeronaves enquanto senador Jaques Wagner afirma que não cometeu crimes

Ipolítica, com informações da agência Brasil

Jaques Wagner nega irregularidades após investigação da PF apontar supostas vantagens ligadas ao caso Master. (Carlos Moura/Agência Senado)

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) apontou indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido vantagens econômicas do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. As informações constam na investigação que embasou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar a 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Em entrevista, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou estar “absolutamente tranquilo” em relação às apurações.

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“Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou em celulares ou em alguma delação de alguém que eu desconheço”, declarou.

Apartamento e relação com empresário

Segundo a PF, Jaques Wagner teria solicitado a Augusto Lima a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões no residencial Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, em Salvador.

Os investigadores afirmam que o senador teria encaminhado ao empresário informações sobre o empreendimento e o corretor responsável pela venda. A partir disso, integrantes ligados ao Banco Master teriam participado da negociação.

O parlamentar confirmou que conversou com Augusto Lima sobre o imóvel, mas negou qualquer irregularidade.

“Como o Guga é um investidor, disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’. O apartamento está em construção e eu precisaria vender outro imóvel da minha filha para complementar o pagamento”, afirmou.

Segundo Wagner, o imóvel nunca integrou seu patrimônio.

Outras suspeitas

A investigação também aponta supostos repasses de mais de R$ 5,5 milhões para a BN Financeira, empresa administrada por familiares do senador.

Além disso, a PF cita o uso de aeronaves custeadas por Augusto Lima e pelo Banco Master, bem como ingressos para shows no exterior que teriam sido oferecidos a parentes do parlamentar.

Parte dessas informações foi obtida a partir da análise de celulares apreendidos durante as fases anteriores da Operação Compliance Zero.

Mensagens reproduzidas pela PF indicariam encontros entre Wagner e Lima, além da oferta de transporte aéreo e benefícios relacionados a eventos internacionais.

Emendas e interesses do Master

A PF também investiga a atuação de Wagner em temas regulatórios de interesse do grupo Master.

Entre os pontos citados está a apresentação de emendas parlamentares durante a tramitação de propostas relacionadas ao crédito consignado e ao sistema financeiro.

O senador rejeitou qualquer acusação de favorecimento ao banco e afirmou que atuou em defesa da posição do governo federal em temas considerados estratégicos.

“O governo foi contra o aumento da garantia do Fundo Garantidor de Crédito. Eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda”, disse.

Dinheiro apreendido

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, agentes federais encontraram cerca de US$ 49 mil em espécie na residência de Wagner, em Brasília.

Segundo o senador, os valores são provenientes de diárias oficiais de viagens internacionais e recursos pessoais regularmente declarados à Receita Federal.

“Comprei, via Banco do Brasil, dólares ou euros para fazer a viagem. Não tenho nada a esconder sobre este dinheiro”, afirmou.

O que diz a defesa

Em nota, a assessoria de Jaques Wagner afirmou que o senador não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer processo relacionado aos fatos investigados.

A defesa também sustenta que o apartamento citado pela PF jamais integrou o patrimônio do parlamentar e que ele nunca atuou em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.

“O senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”, diz a nota.

Já a defesa de Augusto Lima classificou as diligências da Polícia Federal como desnecessárias e afirmou que os fatos investigados são “rigorosamente lícitos”.

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