SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Moraes mantém julgamento de Eduardo Bolsonaro e rejeita pedido de adiamento

Ministro do STF negou solicitação da Defensoria Pública da União e confirmou análise da ação penal contra o ex-deputado nesta terça-feira.

Ipolítica, com informações do g1

Alexandre de Moraes rejeita pedido da DPU e mantém julgamento de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. (Mário Agra / Câmara dos Deputados)

BRASIL – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido da Defensoria Pública da União (DPU) para adiar o julgamento da ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Com a decisão, o caso será analisado nesta terça-feira (16) pela Primeira Turma da Corte.

Eduardo Bolsonaro é acusado do crime de coação no curso do processo. Segundo a acusação, ele teria atuado para tentar interferir no andamento da ação que investigou a tentativa de golpe de Estado e resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros aliados.

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DPU pediu adiamento do julgamento

A Defensoria Pública da União, responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro no processo, argumentou que a composição da Primeira Turma do STF está incompleta e solicitou o adiamento da sessão ou a convocação de um ministro da Segunda Turma para completar o colegiado.

Atualmente, a Primeira Turma é formada pelos ministros Flávio Dino, que preside o colegiado, Alexandre de Moraes, relator do caso, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A quinta vaga permanece aberta após a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias.

Ao negar o pedido, Moraes afirmou que não há violação aos princípios constitucionais do juiz natural e da colegialidade, destacando que o julgamento seguirá as normas previstas no regimento interno da Corte.

Eduardo Bolsonaro responde por coação no curso do processo

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria tentado dificultar o andamento do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

A acusação sustenta que o ex-deputado buscou apoio junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover sanções e medidas contra autoridades do Judiciário brasileiro e contra o próprio país como forma de pressionar o STF.

Segundo a PGR, as condutas atribuídas a Eduardo Bolsonaro ocorreram de forma continuada e configurariam o crime de coação no curso do processo.

Defesa é feita pela DPU

Como não constituiu advogado particular para atuar na ação penal, Eduardo Bolsonaro é representado pela Defensoria Pública da União.

No mês passado, o ex-deputado não participou do interrogatório marcado pelo STF. Desde fevereiro do ano passado, ele reside nos Estados Unidos e não retornou ao Brasil. O depoimento estava previsto para ocorrer por videoconferência.

PGR aponta atuação conjunta com aliado

A Procuradoria-Geral da República também aponta a participação de Paulo Figueiredo, produtor de conteúdo e aliado da família Bolsonaro, na suposta estratégia de pressionar integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a acusação, ambos teriam utilizado contatos nos Estados Unidos para tentar obter sanções contra ministros da Corte e criar obstáculos ao andamento do processo judicial.

A pena prevista para o crime de coação no curso do processo varia de um a quatro anos de prisão, podendo ser ampliada caso sejam reconhecidas circunstâncias agravantes durante o julgamento.

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