CIÊNCIA

Planta carnívora que não era vista há mais de 80 anos, é registrada no Nordeste

Espécie aquática não era observada em algumas regiões há mais de 80 anos e pode estar ameaçada de extinção no Brasil.

Imirante.com

Planta carnívora que não era vista há mais de 80 anos, é registrada no Nordeste. (Francisco Sousa/Divulgação)

BRASIL - Uma espécie rara de planta carnívora que não era registrada em algumas regiões do Brasil há mais de 80 anos foi encontrada pela primeira vez no Nordeste. A descoberta da Utricularia warmingii ocorreu em uma área alagada conhecida como Lagoa do Bode, no município de Campo Maior, no Piauí, e integra uma pesquisa liderada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e de outras instituições brasileiras.

O achado foi publicado na mais recente edição da revista científica Kew Bulletin, um dos principais periódicos internacionais da área de botânica. Além da UFPI e da UFMA, participaram do estudo o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo os pesquisadores, o registro amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, considerada extremamente rara. Embora também exista em países como Bolívia, Colômbia e Venezuela, a planta possui poucos registros documentados. No Brasil, ela já havia sido encontrada no Pantanal e em áreas do Sudeste, mas algumas dessas populações podem ter desaparecido ao longo do tempo. Em São Paulo, por exemplo, a última ocorrência conhecida data de 1939.

Como funciona a planta carnívora?

A Utricularia warmingii vive livremente na água e não possui raízes verdadeiras. Sua principal característica são pequenas estruturas chamadas utrículos, que funcionam como armadilhas microscópicas capazes de capturar larvas de mosquitos, microcrustáceos e outros organismos aquáticos para alimentação.

A espécie geralmente apresenta uma única flor branca, com tons amarelados e uma pequena mancha avermelhada. Apesar da aparência delicada, trata-se de uma planta altamente especializada para sobreviver em ambientes alagados com baixa disponibilidade de nutrientes.

Descoberta acende alerta ambiental

Para os cientistas, a descoberta vai além do registro botânico. O estudo levou especialistas a reavaliarem o risco de extinção da espécie, que agora passa a ser considerada "Em Perigo" devido à pequena área efetivamente ocupada por suas populações conhecidas.

As lagoas rasas e áreas úmidas onde a planta se desenvolve estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. Mudanças no regime de chuvas, expansão agropecuária, uso de fertilizantes, introdução de espécies invasoras e alterações na paisagem são alguns dos fatores que colocam esses ambientes em risco.

De acordo com os pesquisadores, o caso também evidencia o quanto a biodiversidade do interior do Nordeste ainda é pouco conhecida pela ciência. A expectativa é que novos levantamentos revelem outras populações da espécie e ampliem o conhecimento sobre plantas raras que podem estar escondidas em áreas ainda pouco estudadas da região.

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