EUA

Governo vê motivação política em nova sobretaxa dos EUA sobre o Brasil

Governo prepara defesa contra nova sobretaxa dos EUA e mantém estratégia de diálogo para evitar impactos ao comércio

Ipolítica, com informações do g1

Governo brasileiro prepara defesa contra nova sobretaxa dos EUA e mantém negociação diplomática com Washington. (Reprodução)

BRASÍLIA – O governo brasileiro já trabalhava com a expectativa de que os Estados Unidos propusessem uma nova sobretaxa relacionada à importação de produtos associados ao trabalho forçado. Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e da área econômica seguem avaliando que a medida tem motivação política e pretendem manter a estratégia de diálogo com Washington.

A nova proposta foi apresentada após uma investigação norte-americana concluir que 60 países, entre eles o Brasil, não teriam adotado mecanismos suficientes para impedir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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Impacto das tarifas

Interlocutores do governo avaliam que a nova cobrança poderá ser somada à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos nesta semana sobre parte dos produtos brasileiros.

Nesse cenário, a sobretaxa total chegaria a 37,5%, percentual próximo aos cerca de 40% impostos anteriormente pelos norte-americanos em outras medidas comerciais.

Apesar da preocupação, a avaliação interna é de que ainda existe espaço para negociação antes da conclusão do processo conduzido pelo governo dos Estados Unidos.

Estratégia de defesa

A resposta brasileira deverá seguir o mesmo modelo adotado diante da proposta de tarifa de 25% anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O governo pretende reforçar argumentos técnicos e apresentar dados relacionados ao combate ao trabalho escravo no país.

Entre os pontos que devem ser destacados estão a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e a chamada "Lista Suja", mecanismo que identifica empregadores flagrados utilizando mão de obra análoga à escravidão e restringe o acesso a financiamentos públicos.

Articulação diplomática

Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

No encontro também estará presente Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.

Segundo fontes que acompanham o chanceler brasileiro, ainda não existe reunião confirmada entre os dois representantes. A expectativa, no entanto, é de que Mauro Vieira tente um encontro para discutir as medidas anunciadas pelo governo norte-americano.

O governo brasileiro aposta na negociação diplomática para tentar reverter as propostas tarifárias antes da conclusão definitiva das investigações conduzidas pelos Estados Unidos.

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