SENADO FEDERAL

Alcolumbre mantém silêncio sobre 6x1 e oposição tenta preservar escala

PEC que acaba com a jornada 6x1 segue sem definição no Senado, enquanto proposta alternativa avança na CCJ e mantém carga semanal de 44 horas.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

PEC do fim da escala 6x1 aguarda definição no Senado, enquanto oposição apresenta proposta para manter jornada de 44 horas semanais. (Foto: divulgação)

BRASIL - A tramitação da PEC que acaba com a escala 6x1 segue indefinida no Senado Federal seis dias após a aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados. Enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), evita se manifestar sobre o andamento da matéria, a oposição já articula uma alternativa para preservar o modelo atual de jornada de trabalho.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Já a PEC 12/2026, apresentada pela oposição um dia após a aprovação da proposta principal, mantém a jornada de 44 horas semanais e a possibilidade de seis dias de trabalho por semana.

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Diferentemente da PEC aprovada pela Câmara, que ainda aguarda encaminhamento no Senado, a proposta da oposição já foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Alcolumbre adota cautela sobre a escala 6x1

A ausência de posicionamento de Davi Alcolumbre é vista por especialistas como uma estratégia para evitar desgastes em uma pauta que divide parlamentares, empresários e trabalhadores.

Para a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o silêncio do presidente do Senado demonstra cautela diante da repercussão do tema.

Segundo ela, a proposta reúne forte apoio popular, mas também enfrenta resistência de setores empresariais que defendem uma discussão mais lenta e até mesmo posterior ao período eleitoral.

A avaliação é de que Alcolumbre busca equilibrar interesses conflitantes enquanto define o ritmo de tramitação da matéria.

O que prevê a PEC da oposição

A proposta alternativa apresentada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), estabelece um modelo diferente de contratação.

Entre os principais pontos estão:

  • Manutenção da jornada de 44 horas semanais;
  • Preservação da escala de até seis dias de trabalho por semana;
  • Contratação baseada em horas trabalhadas;
  • Negociação direta entre empregador e trabalhador;
  • Predominância do contrato individual sobre acordos coletivos.

O texto já reúne o apoio de 41 senadores.

Segundo Marinho, a proposta busca garantir liberdade de escolha ao trabalhador e evitar a adoção de um modelo único para todos os setores da economia.

Governo cobra avanço da proposta

A movimentação da oposição é criticada por parlamentares da base governista. A líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a proposta alternativa pode atrasar a discussão sobre o fim da escala 6x1.

Para a senadora, o debate ganhou força por refletir uma demanda real dos trabalhadores brasileiros.

A expectativa do governo é que a tramitação da PEC seja definida após a próxima reunião de líderes da Casa, prevista para a semana que vem, após o feriado de Corpus Christi.

CCJ deve analisar proposta nas próximas semanas

A PEC que acaba com a escala 6x1 precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para votação em plenário, onde terá de ser aprovada em dois turnos.

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que pretende priorizar a proposta aprovada pela Câmara, já que ela iniciou sua tramitação antes da PEC apresentada pela oposição.

A definição do relator deve ocorrer nos próximos dias, em conjunto com o presidente do Senado.

Para especialistas, a escolha do relator e a definição de um calendário de audiências públicas serão os principais indicativos sobre o futuro da PEC e a velocidade com que o Senado pretende conduzir a discussão.

A próxima reunião da CCJ está prevista para 10 de junho. O governo trabalha para que a proposta seja votada ainda neste mês.

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