BRASÍLIA – A votação da PEC do fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (27), foi marcada por cantorias, ironias e troca de acusações entre parlamentares da base governista e da oposição.
A proposta foi aprovada em dois turnos e reduz gradualmente a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além de permitir a adoção da escala 5x2. O texto agora segue para análise do Senado Federal.
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Cantoria no plenário
Durante a sessão, deputados aliados do governo puxaram gritos de “olê olê olá, Lula, Lula” e cantaram trechos da música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré.
O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) também chamou atenção ao defender que a nova escala daria mais tempo livre aos trabalhadores.
“A escala 5 por 2, além de melhorar a vida das famílias, vai permitir que os trabalhadores e as trabalhadoras tenham tempo inclusive para ter mais filhos e, portanto, fazer sexo em paz e com mais tranquilidade”, afirmou.
Troca de ataques
O clima esquentou durante discussões envolvendo a deputada Erika Hilton (Psol-SP) e parlamentares do PL.
O deputado André Fernandes (PL-CE) afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria “humilhado” Erika Hilton ao impedir a votação de um destaque apresentado pela oposição para implementar a escala 4x3.
“Está bem caladinha, está pianinha. Humilhada pelo Lula, pelo PT, pelo Psol, pelo PCdoB, pelo governo”, declarou.
Erika rebateu e afirmou que o destaque do PL era uma tentativa de obstruir a votação da PEC.
“Humilhante é se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima”, respondeu a parlamentar.
Disputa pelo 4x3
O PL passou a defender um destaque prevendo jornada 4x3, com três dias de folga por semana.
Para impedir a votação separada da proposta, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou uma emenda aglutinativa com mudanças apenas de redação no texto principal.
Na prática, essa versão acabou sendo aprovada pelos deputados.
Críticas da oposição
Na véspera da votação, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeo defendendo o modelo 4x3 e criticando os possíveis impactos econômicos da proposta.
“Quando der merda, a culpa é deles”, afirmou.
Já no plenário, Nikolas voltou a dizer que o governo seria responsabilizado por possíveis consequências econômicas da redução da jornada.
Óleo de peroba
Antes da votação, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) interrompeu uma entrevista concedida por Nikolas Ferreira segurando um frasco de óleo de peroba.
Segundo ela, o gesto simbolizava a postura do parlamentar diante da discussão sobre a escala 4x3.
“É óleo de peroba para quem está contra o trabalhador e agora tentou apresentar uma emenda”, afirmou.
Confusão sobre emenda
Outro momento de tensão ocorreu após o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), negar que o partido tivesse assinado uma emenda que ampliava de 14 meses para dez anos o período de transição da PEC.
A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) apresentou a lista de assinaturas da proposta e afirmou que Sóstenes constava entre os signatários.
“Ele diz que não assinou, mas está aqui: o Sóstenes assinou”, declarou.
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