BRASÍLIA – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste domingo (17) que o pedido de criação da CPI do Banco Master terá “tratamento regimental” na Casa. A declaração foi dada a jornalistas durante participação na Corrida da Câmara, em Brasília.
Apesar da fala, Motta não detalhou o que quis dizer com a expressão. Nos bastidores, porém, líderes partidários afirmam que o presidente da Câmara tem defendido a necessidade de seguir a ordem cronológica dos pedidos de CPIs apresentados na Casa.
Na prática, isso significaria analisar antes outros 15 requerimentos de comissão parlamentar de inquérito que já estão na fila antes da CPI do Banco Master.
Parlamentares e técnicos do Congresso avaliam reservadamente que a justificativa regimental só se sustenta porque não existe interesse político na instalação da comissão.
Pedido aguarda decisão de Hugo Motta
O pedido de criação da CPI do Banco Master na Câmara foi protocolado em 2 de fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
O requerimento já conta com o número mínimo de assinaturas exigido para abertura da comissão, mas a instalação depende de despacho do presidente da Câmara.
Além da CPI na Câmara, o Congresso também acumula pedidos de criação de Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) sobre o caso.
Há requerimentos apresentados pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e pelas deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
Outros parlamentares, como Lindbergh Farias (PT-RJ) e o senador Carlos Viana (PSD-MG), também articulam novos pedidos de investigação.
Alcolumbre também é pressionado
No Congresso Nacional, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também enfrenta pressão para instalar uma CPMI sobre o Banco Master.
O regimento prevê instalação automática de CPMIs após leitura do requerimento em sessão conjunta do Congresso, desde que haja assinaturas suficientes.
Mesmo assim, Alcolumbre decidiu não fazer a leitura do pedido durante a sessão que analisou os vetos da chamada Lei da Dosimetria.
Governistas afirmam que houve um acordo entre oposição e presidência do Congresso para garantir a derrubada dos vetos sem a instalação da CPMI. A oposição e Alcolumbre negam.
Na sexta-feira (15), Lindbergh Farias apresentou mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar obrigar a Mesa do Congresso a criar a comissão.
Parlamentares veem pouca chance de avanço
Apesar das manifestações públicas de apoio à CPI do Banco Master tanto por governistas quanto por integrantes da oposição, parlamentares admitem reservadamente que a comissão dificilmente sairá do papel.
Deputados e senadores apontam o calendário eleitoral curto e a falta de interesse da cúpula do Congresso como obstáculos para o avanço das investigações parlamentares.
Nos bastidores, integrantes do Centrão afirmam que uma CPI envolvendo o Banco Master poderia atingir diversos setores políticos.
“Todo mundo sabe como uma CPI começa, mas ninguém sabe como termina”, resumiu reservadamente um parlamentar ouvido pela reportagem.
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