Eleições 2026

IA pode ampliar fake news nas eleições, alertam especialistas

Especialistas apontam risco de aumento de desinformação com uso de inteligência artificial durante campanha eleitoral deste ano

Ipolitica, com informações da Agência Brasil

Atualizada em 16/05/2026 às 11h46
Especialistas alertam para risco de aumento de fake news com uso de inteligência artificial nas eleições deste ano (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

BRASÍLIA – O uso da Inteligência Artificial (IA) nas eleições deste ano preocupa especialistas em direito eleitoral e ciência política, que alertam para o risco de aumento da circulação de fake news durante a campanha.

Segundo especialistas, a tecnologia pode ampliar a disseminação de desinformação em um cenário marcado por polarização política e baixo letramento digital.

O tema está entre as prioridades do ministro Nunes Marques à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Especialistas alertam para riscos

O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, afirmou que a Justiça Eleitoral enfrenta um cenário em que as práticas de manipulação evoluem constantemente.

Segundo ele, o combate à desinformação funciona de forma semelhante ao enfrentamento do doping no esporte.

“O doping sempre está um pouco à frente do antidoping”, afirmou o especialista ao comparar a velocidade de evolução das tecnologias de manipulação digital.

Já o professor Marcus Ianoni, da Universidade Federal Fluminense, avalia que a capacidade de resposta da Justiça Eleitoral dependerá da estrutura técnica disponível.

O acadêmico demonstrou preocupação com a possibilidade de aumento do uso da inteligência artificial para manipular eleitores e influenciar intenções de voto.

Prioridades de Nunes Marques no TSE

Segundo a assessoria do ministro Nunes Marques, enfrentar os efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições está entre as prioridades da gestão no TSE.

O ministro também pretende:

  • ampliar o diálogo com tribunais regionais eleitorais;
  • garantir direito de resposta;
  • e fortalecer o debate democrático durante o processo eleitoral.

Para Jonatas Moreth, a intenção é fazer com que o TSE e os tribunais regionais atuem de forma alinhada durante as eleições.

Debate sobre liberdade de expressão

Especialistas também discutem qual deve ser o grau de intervenção da Justiça Eleitoral diante da desinformação.

Moreth afirmou que existe preocupação quando a liberdade de expressão ultrapassa o debate político e passa a envolver mentiras e ofensas.

Na avaliação de Marcus Ianoni, Nunes Marques tende a defender uma visão mais ampla sobre liberdade de expressão, mas ainda dentro dos limites previstos na legislação.

Segundo o professor, a liberdade de expressão não pode servir para legitimar práticas como:

  • calúnia;
  • difamação;
  • injúria;
  • e disseminação de notícias falsas.

Pesquisas eleitorais preocupam especialistas

Outro ponto de atenção citado pelos especialistas é a divulgação de pesquisas eleitorais fraudulentas.

Ianoni afirmou que o TSE precisará reforçar mecanismos de fiscalização para evitar levantamentos clandestinos que possam confundir eleitores.

Atualmente, a legislação exige registro prévio das pesquisas na Justiça Eleitoral, além da divulgação de informações sobre metodologia, amostragem e estatístico responsável.

Mesmo assim, Jonatas Moreth considera que ainda faltam mecanismos mais rigorosos de auditoria e fiscalização sobre os levantamentos divulgados durante as campanhas.

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