BRASÍLIA – A criação da CPI do Master enfrenta resistência nos bastidores do Congresso Nacional, apesar do discurso público favorável de parlamentares da oposição e da base do governo.
Deputados e senadores ouvidos reservadamente afirmam que a investigação do caso envolvendo o Banco Master não interessa à cúpula do Congresso nem aos principais grupos políticos.
Um líder partidário afirmou que a defesa pública da comissão ocorre porque muitos parlamentares acreditam que a instalação da CPI é improvável.
Resistência nos bastidores
Segundo parlamentares, a falta de interesse dos presidentes do Senado e da Câmara dificulta o avanço da comissão.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não deram andamento aos pedidos de criação da CPI e da CPMI do Master.
Nos bastidores, integrantes do Centrão afirmam que uma investigação ampla poderia atingir políticos de diferentes partidos e correntes ideológicas.
Parlamentares também avaliam que o calendário eleitoral reduz o espaço para instalação e funcionamento de uma comissão de investigação neste ano.
Pressão aumentou após áudio de Flávio Bolsonaro
A pressão pela criação da CPI voltou a crescer após reportagem do portal Intercept Brasil revelar mensagens e um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
No áudio, Flávio cobra repasses relacionados ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Após a divulgação do material, parlamentares da oposição retomaram o discurso em defesa da CPI do Master. Integrantes da base do governo também passaram a defender a instalação da comissão.
Pedidos de CPMI seguem sem avanço
Atualmente, existem pelo menos dois pedidos de CPMI protocolados no Congresso com assinaturas suficientes.
Os requerimentos são de autoria dos deputados Carlos Jordy e Heloísa Helena.
Pelo regimento do Congresso, a leitura do requerimento deveria ocorrer na primeira sessão após a apresentação do pedido, desde que os requisitos fossem cumpridos.
Mesmo assim, Alcolumbre decidiu não realizar a leitura durante a sessão em que foram analisados vetos da Lei da Dosimetria.
Acusações de acordo político
Parlamentares governistas afirmam que houve um acordo para evitar a instalação da CPMI em troca da derrubada dos vetos presidenciais sobre a Lei da Dosimetria.
Entre os que levantaram a suspeita estão Lindbergh Farias, Fernanda Melchionna e Otoni de Paula.
A oposição e Davi Alcolumbre negam a existência de acordo.
Governo e oposição mantêm discurso público
Apesar da resistência nos bastidores, parlamentares seguem defendendo publicamente a comissão.
O deputado Carlos Jordy afirmou que continua cobrando a instalação da CPMI e disse que Flávio Bolsonaro errou ao não revelar antes a relação com Vorcaro.
Já Heloísa Helena declarou que o Congresso estaria cometendo “prevaricação” ao não instalar a comissão.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a oposição teria recuado da instalação da CPMI na última sessão do Congresso.
Randolfe também disse que pretende conversar pessoalmente com Alcolumbre para defender a criação da comissão, embora admita que a proximidade das eleições possa dificultar o avanço da proposta.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.