8 de janeiro

Voto de Nunes Marques sobre 8 de janeiro converge com defesa de Bolsonaro no STF

Ministro do Supremo já criticou responsabilização coletiva de acusados e interpretação ampla dos crimes ligados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

Ipolítica, com informações de O Globo

Voto de Nunes Marques em ações do 8 de janeiro converge com argumentos da defesa de Bolsonaro em revisão criminal no STF. (Foto: Divulgação)

BRASIL – O voto do ministro Kassio Nunes Marques em ações relacionadas aos atos de 8 de janeiro apresenta pontos de convergência com argumentos utilizados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro na revisão criminal protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa de Bolsonaro tenta anular a condenação do ex-presidente sob o argumento de que houve ampliação indevida das acusações e ausência de provas individualizadas.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp

Defesa critica “narrativa globalizante”

Na revisão criminal apresentada ao STF, os advogados de Bolsonaro afirmam que a condenação teria sido construída a partir de uma “narrativa globalizante”, reunindo discursos, reuniões e atos praticados por terceiros para suprir a falta de provas diretas contra o ex-presidente.

Segundo a defesa, houve substituição da responsabilização individual por uma interpretação ampla dos fatos.

Esse entendimento se aproxima de posicionamentos já adotados por Nunes Marques em julgamentos relacionados aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

Ministro criticou responsabilização coletiva

Em voto recente, Nunes Marques afirmou que a responsabilização penal coletiva é incompatível com o sistema jurídico brasileiro e defendeu a necessidade de demonstração concreta da conduta individual de cada acusado.

A responsabilização penal coletiva é vedada em nosso sistema”, escreveu o ministro em manifestação anterior.

O magistrado também já demonstrou preocupação com a ampliação da competência do STF em casos sem foro privilegiado.

Defesa questiona julgamento na Primeira Turma

Outro ponto levantado pela defesa de Bolsonaro é a competência da Primeira Turma do STF para julgar o caso.

Os advogados sustentam que, por envolver fatos atribuídos ao exercício da Presidência da República, o julgamento deveria ter ocorrido no plenário da Corte.

A tese dialoga com críticas já feitas por Nunes Marques sobre a concentração de processos no Supremo.

Crimes contra o Estado Democrático também são alvo de questionamento

A revisão criminal também questiona a aplicação dos crimes contra o Estado Democrático de Direito no caso envolvendo Bolsonaro.

Segundo a defesa, houve interpretação excessivamente ampla de conceitos como violência e grave ameaça.

Em julgamentos anteriores, Nunes Marques também afirmou que esses crimes exigem requisitos concretos e efetivo potencial de ruptura institucional para serem configurados.

Revisão criminal é medida excepcional

A revisão criminal é considerada um instrumento excepcional no sistema jurídico brasileiro e costuma ser utilizada quando não há mais possibilidade de recurso.

O mecanismo permite reavaliar condenações em situações específicas, como apresentação de novas provas ou questionamentos sobre a legalidade da decisão anterior.

Procurado, o ministro Nunes Marques informou que não comentaria o caso por se tratar de processo em andamento no STF.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.