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Governo Lula avalia concessões aos EUA para evitar novo tarifaço

Reunião entre Lula e Trump criou grupo de trabalho para discutir tarifas e ampliar negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Ipolítica, com informações de O Globo

Governo Lula avalia concessões aos EUA após reunião com Trump para evitar novo tarifaço contra produtos brasileiros. (Ricardo Stuckert / PR)

BRASIL - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia fazer concessões aos Estados Unidos para evitar um novo tarifaço contra produtos brasileiros. A estratégia ganhou força após a reunião entre Lula e o presidente americano Donald Trump, realizada na quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.

Segundo integrantes do governo brasileiro, o encontro serviu para abrir um canal de negociação e ganhar tempo diante do risco de novas sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Durante a reunião, os dois países acertaram a criação de um grupo de trabalho para discutir, no prazo de 30 dias, as tarifas aplicadas no comércio bilateral.

Governo teme novas sanções comerciais

Auxiliares de Lula avaliam que, sem a reunião entre os presidentes, o risco de medidas imediatas contra produtos brasileiros seria maior. O governo brasileiro teme que os Estados Unidos ampliem restrições comerciais com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, usada pelos americanos para investigar práticas consideradas desleais.

Nos bastidores, integrantes do Planalto reconhecem que será necessário encontrar algum ponto de concessão para evitar novas tarifas.

A expectativa do governo é que, durante as negociações, não sejam anunciadas novas taxas contra exportações brasileiras, embora interlocutores admitam preocupação com decisões consideradas imprevisíveis da gestão Trump.

Tarifas dominaram encontro entre Lula e Trump

A questão tarifária foi o principal tema da reunião na Casa Branca. Segundo relatos, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reclamou das tarifas impostas pelo Brasil sobre produtos americanos.

Greer também criticou a posição brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra acordos internacionais que defendem a isenção de tarifas sobre comércio eletrônico.

De acordo com assessores do governo brasileiro, o desafio agora é construir um acordo que permita aos americanos apresentar ganhos políticos internos sem prejudicar empresários brasileiros.

Governo busca conter pressão de aliados do bolsonarismo nos EUA

Integrantes do governo Lula também avaliam que parte da pressão comercial americana é influenciada por setores ligados ao bolsonarismo dentro do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Esse grupo é apontado por interlocutores do Planalto como um dos responsáveis por incentivar medidas comerciais duras contra o Brasil, incluindo o tarifaço anunciado no ano passado, que elevou taxas sobre produtos brasileiros em até 50%.

Além das tarifas, Lula também tratou com Trump sobre cooperação no combate ao crime organizado e a negativa de vistos americanos para brasileiros, incluindo autoridades brasileiras ligadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao programa Mais Médicos.

Big techs ficaram fora da reunião

Apesar das preocupações já manifestadas pelos Estados Unidos sobre propostas brasileiras de regulamentação das big techs, o tema não foi discutido durante o encontro entre Lula e Trump.

O governo brasileiro considera que as negociações comerciais continuarão nas próximas semanas dentro do grupo bilateral criado após a reunião.

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