revisão de gastos

Durigan diz que eleições dificultam revisão de gastos e nega impacto fiscal nos juros

Ministro afirma que calendário eleitoral limita avanço de medidas no Congresso e diz que cenário externo pesa mais na alta dos juros.

Ipolítica, com informações do g1

Dario Durigan afirma que eleições dificultam revisão de gastos e diz que fator fiscal não é principal causa dos juros altos. (Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda)

BRASIL - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o calendário eleitoral deve dificultar o avanço de medidas de revisão de gastos públicos no Congresso Nacional nos próximos meses.

Segundo ele, o ambiente político entre maio e outubro reduz o espaço para discutir propostas consideradas mais sensíveis, o que impacta diretamente a agenda econômica do governo.

Eleições limitam revisão de gastos

De acordo com Durigan, a proximidade das eleições impede o avanço de mudanças estruturais nas despesas públicas.

De maio a outubro é praticamente impossível apresentar medidas de revisão de gastos”, afirmou o ministro.

Apesar disso, ele destacou que o debate sobre o tema precisa continuar, especialmente para reduzir a pressão das despesas obrigatórias, fortalecer o arcabouço fiscal e garantir maior previsibilidade nas contas públicas.

Durigan nega pressão fiscal sobre juros

O ministro também contestou a avaliação de que o cenário fiscal seja o principal responsável pelos juros elevados no país.

Na análise dele, fatores externos têm maior influência sobre a política monetária, como:

  • Conflitos internacionais
  • Crises regionais
  • Mudanças no cenário econômico global

A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,50% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil.

Arcabouço fiscal segue válido

Durigan afirmou que o modelo atual de regras fiscais continua adequado e não precisa ser substituído.

Segundo ele, o sistema permite ajustes graduais e já apresenta resultados positivos, ainda que esteja em fase inicial.

O governo, segundo o ministro, pretende manter uma estratégia baseada em:

  • Controle de despesas obrigatórias
  • Melhoria da qualidade do gasto público
  • Responsabilidade fiscal

Desenrola 2.0 não deve afetar inflação

O ministro também comentou o lançamento do novo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0.

De acordo com ele, a iniciativa não deve gerar pressão inflacionária nem interferir na condução da política monetária.

Entre os principais pontos do programa estão:

  • Descontos em dívidas de consumo
  • Juros menores e prazos maiores
  • Negociação direta com bancos
  • Medidas para evitar nova inadimplência

Durigan avaliou que o impacto do programa será limitado e não deve provocar aumento significativo no consumo.

Cenário externo exige atenção

O ministro destacou ainda que fatores internacionais, como conflitos no Oriente Médio, podem continuar pressionando a economia brasileira.

Nesse contexto, o governo pode adotar medidas emergenciais, desde que respeitem a responsabilidade fiscal, como compensações por meio de receitas extras.

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