eleições 2026

Representatividade feminina nas eleições segue baixa para governos e Senado

Partidos mantêm poucas mulheres nas disputas majoritárias, enquanto presença feminina cresce no Senado e como vice nas chapas eleitorais.

Ipolítica, com informações de O Globo

Michelle Bolsonaro (E), Simone Tebet e Raquel Lyra (D). (Agência O Globo)

BRASIL - A representatividade feminina nas eleições para governos estaduais e Senado em 2026 segue baixa e repete o padrão observado em pleitos anteriores, com predominância de homens nas disputas majoritárias.

Mesmo com maioria no eleitorado, as mulheres continuam sub-representadas nas candidaturas aos cargos mais altos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que elas representam 52,47% dos eleitores no país.

Poucas candidaturas femininas

Até o momento, apenas 11 estados devem ter mulheres concorrendo ao governo. Em alguns casos, não há sequer pré-candidatas ao Senado.

Na Bahia, por exemplo, há pelo menos cinco nomes cotados para o governo — todos homens — e nenhuma mulher na disputa por vaga no Senado.

A tendência reforça um padrão histórico em que partidos priorizam candidaturas masculinas para cargos de maior visibilidade.

Lei não obriga candidaturas majoritárias

A legislação eleitoral prevê cota mínima de 30% de candidaturas femininas, mas a regra se aplica apenas às eleições proporcionais, como para deputados e vereadores.

Sem exigência legal para cargos majoritários, como governo e Senado, os partidos têm menos incentivo para lançar mulheres nessas disputas.

A cientista política Mayra Goulart avalia que o cenário está ligado à estrutura partidária:

Se as decisões estratégicas seguem sob o controle de elites partidárias masculinas, esse compadrio, que bloqueia a representação das mulheres, também continuará.

Presença maior como vice e no Senado

Com menos espaço como candidatas principais, mulheres têm sido mais escaladas como vice ou para disputar vagas no Senado.

Entre os nomes em destaque estão Michelle Bolsonaro, Simone Tebet e Marina Silva, cotadas para disputas em diferentes estados.

Também aparecem articulações envolvendo Bia Kicis, Gleisi Hoffmann e Áurea Carolina.

Histórico de baixa representação

Na eleição de 2022, apenas duas mulheres foram eleitas governadoras:

  • Raquel Lyra
  • Fátima Bezerra

No Senado, quatro mulheres foram eleitas naquele ano, número considerado baixo em relação ao total de vagas.

Há casos emblemáticos, como o do Amapá, que nunca elegeu uma mulher para o Senado.

Debate eleitoral e estratégias partidárias

Apesar do discurso voltado ao eleitorado feminino, lideranças políticas seguem priorizando homens nas candidaturas principais.

Pré-candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado têm citado temas como violência de gênero e feminicídio, além de defender políticas públicas voltadas às mulheres.

Na prática, porém, partidos ainda concentram investimentos em candidaturas masculinas, enquanto mulheres aparecem com mais frequência como vice ou em disputas ao Legislativo.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.