PARÁ - O cantor Bruno Mafra anunciou o cancelamento da turnê “Bruno e Trio 2.0”, que teria início neste sábado (4), após a manutenção de sua condenação por estupro de vulnerável contra as próprias filhas. A decisão foi divulgada nas redes sociais na sexta-feira (3) e, segundo comunicado, não há previsão para retomada dos shows.
O primeiro show estava previsto para o município de Breves, no arquipélago do Marajó. De acordo com a equipe do artista, o cancelamento ocorreu por orientação da assessoria jurídica.
Justiça mantém condenação por crimes cometidos na infância das vítimas
A decisão ocorre após o Tribunal de Justiça do Estado do Pará manter, por unanimidade, a condenação do cantor por estupro de vulnerável continuado. Os crimes, segundo a denúncia, aconteceram entre 2007 e 2011, quando as vítimas tinham entre 5 e 9 anos de idade.
O caso veio à tona em 2019 e tramitou sob sigilo, tornando-se público após o julgamento em segunda instância, realizado no dia 26 de março pela 1ª Turma de Direito Penal.
Bruno Mafra foi condenado a 32 anos de prisão em regime inicial fechado, mas responde em liberdade. Em manifestações nas redes sociais, ele afirma ser inocente.
Depoimentos e provas sustentaram decisão judicial
Segundo a relatora do caso, a desembargadora Rosi Gomes, os relatos das vítimas foram considerados consistentes e detalharam episódios de abuso envolvendo manipulação psicológica, isolamento e atos libidinosos.
Os depoimentos foram corroborados por familiares, como mãe, avó e tio, além de laudo pericial que confirmou a materialidade dos crimes. O pedido de absolvição da defesa, baseado na alegação de insuficiência de provas, foi rejeitado.
Durante o julgamento, magistrados destacaram a gravidade e a recorrência de casos de violência sexual contra crianças no ambiente familiar, reforçando a importância de enfrentar esse tipo de crime.
Defesa afirma que vai recorrer e aponta irregularidades no processo
A decisão também seguiu entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece a palavra da vítima como elemento central em crimes sexuais.
Em nota, a defesa do cantor, representada pelo escritório Filipe Silveira, informou que o processo ainda está em curso e que pretende recorrer da decisão. Os advogados alegam possíveis violações ao devido processo legal e questionam a divulgação de informações de um caso que tramita sob sigilo.
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