COLUNA
Rafael Cardoso
Rafael Cardoso é jornalista do Grupo Mirante. É correspondente em Brasília (DF).
defesa da mulher

Ana Paula Lobato defende projeto que criminalizou misoginia após aprovação no Senado

Senadora afirma que proposta busca reduzir violência contra mulheres e prevê penas de até 5 anos de prisão.

Rafael Cardoso/Ipolítica

Ana Paula Lobato defende projeto que trata misoginia equiparada ao racismo e prevê penas de até 5 anos de prisão. (Reprodução)

A senadora Ana Paula Lobato defendeu a proposta que trata da misoginia equiparada ao racismo, aprovada por unanimidade no Senado Federal e que segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

Em entrevista ao Rafael Cardoso, a parlamentar afirmou que a medida é uma resposta ao aumento da violência contra mulheres no país e busca fortalecer os mecanismos de proteção já existentes.

Misoginia equiparada ao racismo como resposta à violência

Segundo a senadora, a criação da lei foi motivada pelo crescimento de casos de agressões e feminicídios registrados nos últimos anos.

A gente vem acompanhando diariamente o crescimento da violência contra as mulheres, que muitas vezes levam ao feminicídio. A gente achou importante criar essa lei para andar de braços dados com a Lei Maria da Penha.

A proposta da misoginia equiparada ao racismo, de acordo com a parlamentar, funciona como um reforço no enfrentamento à violência de gênero.

Por que equiparar misoginia ao racismo

Durante a entrevista, Ana Paula Lobato explicou que a equiparação se baseia no caráter discriminatório das duas condutas.

A misoginia é um preconceito contra a mulher, é um ódio, uma aversão às mulheres, que está lado a lado com a lei do racismo, que é basicamente preconceito.

A senadora destacou que o objetivo é reconhecer a gravidade desse tipo de violência e ampliar sua punição.

Punições previstas na proposta

Na prática, a misoginia equiparada ao racismo prevê penas semelhantes às já aplicadas nos crimes de racismo.

A pena é de dois a cinco anos de reclusão, mais multa. Exatamente a mesma da lei do racismo.

Entre os pontos principais do projeto estão:

  • Reclusão de 2 a 5 anos, além de multa
  • Punição para atos de discriminação e incitação ao ódio contra mulheres
  • Aplicação em casos com manifestação pública da conduta

Objetivo é proteger mulheres, diz senadora

A parlamentar também ressaltou que a proposta busca garantir mais segurança e dignidade às mulheres brasileiras.

Muitas mulheres são silenciadas, humilhadas, violentadas todos os dias. Esse projeto é muito importante para diminuir esses números e a estatística do feminicídio.

Ela ainda rebateu críticas de que o projeto poderia gerar conflitos entre homens e mulheres:

Não é uma guerra de sexos. O único objetivo é que as mulheres sejam respeitadas, tenham liberdade de escolhas e permaneçam vivas.

Próximos passos

Após aprovação no Senado Federal, o projeto segue para análise na Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado sem alterações, será encaminhado para sanção presidencial.

A proposta que trata da misoginia equiparada ao racismo deve continuar em debate no Congresso e na sociedade, diante do impacto nas políticas de combate à violência de gênero.


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