BRASÍLIA – O impasse entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode adiar a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições de outubro.
Aliados de Alcolumbre afirmam que a decisão sobre a sabatina só será tomada após um encontro presencial entre os dois, o que ainda não tem previsão para acontecer.
Votação depende de reunião entre Lula e Alcolumbre
O Palácio do Planalto gostaria de resolver a indicação de Messias antes do período eleitoral, mas interlocutores do presidente do Senado dizem que não haverá definição sem conversa direta entre Lula e Alcolumbre.
No momento, o encontro é considerado improvável.
No entorno do governo, há avaliação de que Alcolumbre está mais cauteloso diante das investigações envolvendo o Banco Master e da pressão pela instalação de uma CPMI sobre o caso.
Senado esvaziado e pauta travada
Para reduzir a tensão política, o Senado tem funcionado em ritmo mais lento nas últimas semanas.
A Casa trabalha em sistema semipresencial e sem votações de grande impacto, o que também dificulta o avanço da indicação de Messias.
Resistência à escolha de Lula
A escolha de Jorge Messias para o STF desagradou Alcolumbre desde o início.
O senador preferia a indicação de Rodrigo Pacheco, aliado próximo, para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Diante da resistência no Senado, o governo ainda não enviou a mensagem oficializando a indicação de Messias, para evitar risco de derrota.
A decisão levou ao cancelamento da sabatina que estava prevista para dezembro.
Conversas sem acordo
Em dezembro, senadores do MDB disseram a Lula que a indicação de Messias só avançaria após encontro pessoal com Alcolumbre.
O presidente chegou a telefonar para o senador, mas os dois não trataram do tema.
No início de março, voltaram a se falar, novamente sem marcar reunião.
Alcolumbre afirmou que o encontro deve partir do presidente.
"A gente espera ser chamado pelas pessoas que a gente respeita. Se ele desejar falar comigo, deve me procurar", disse.
Sabatina pode demorar mais que a de Mendonça
Se o impasse continuar, a indicação de Messias pode superar o tempo de espera enfrentado por André Mendonça.
Quando foi indicado por Jair Bolsonaro, Mendonça aguardou 141 dias para ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça.
Na época, Alcolumbre presidia o colegiado e tentou convencer Bolsonaro a escolher outro nome.
Agora, o governo prefere segurar o envio formal da indicação para evitar que o Senado rejeite o escolhido de Lula.
Desde o anúncio do nome de Messias, em novembro de 2025, já se passaram mais de três meses sem que o processo avance.
Saiba Mais
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.