Impasse

Indicação de Messias ao STF pode ficar para depois das eleições por impasse com Alcolumbre

Impasse entre Lula e Alcolumbre pode adiar indicação de Messias ao STF para depois das eleições; governo evita enviar nome para não sofrer derrota

Ipolítica, com informações do g1

Impasse entre Lula e Alcolumbre pode adiar indicação de Messias ao STF; governo segura envio para evitar derrota no Senado. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O impasse entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode adiar a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) para depois das eleições de outubro.

Aliados de Alcolumbre afirmam que a decisão sobre a sabatina só será tomada após um encontro presencial entre os dois, o que ainda não tem previsão para acontecer.

Votação depende de reunião entre Lula e Alcolumbre

O Palácio do Planalto gostaria de resolver a indicação de Messias antes do período eleitoral, mas interlocutores do presidente do Senado dizem que não haverá definição sem conversa direta entre Lula e Alcolumbre.

No momento, o encontro é considerado improvável.

No entorno do governo, há avaliação de que Alcolumbre está mais cauteloso diante das investigações envolvendo o Banco Master e da pressão pela instalação de uma CPMI sobre o caso.

Senado esvaziado e pauta travada

Para reduzir a tensão política, o Senado tem funcionado em ritmo mais lento nas últimas semanas.

A Casa trabalha em sistema semipresencial e sem votações de grande impacto, o que também dificulta o avanço da indicação de Messias.

Resistência à escolha de Lula

A escolha de Jorge Messias para o STF desagradou Alcolumbre desde o início.

O senador preferia a indicação de Rodrigo Pacheco, aliado próximo, para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Diante da resistência no Senado, o governo ainda não enviou a mensagem oficializando a indicação de Messias, para evitar risco de derrota.

A decisão levou ao cancelamento da sabatina que estava prevista para dezembro.

Conversas sem acordo

Em dezembro, senadores do MDB disseram a Lula que a indicação de Messias só avançaria após encontro pessoal com Alcolumbre.

O presidente chegou a telefonar para o senador, mas os dois não trataram do tema.

No início de março, voltaram a se falar, novamente sem marcar reunião.

Alcolumbre afirmou que o encontro deve partir do presidente.

"A gente espera ser chamado pelas pessoas que a gente respeita. Se ele desejar falar comigo, deve me procurar", disse.

Sabatina pode demorar mais que a de Mendonça

Se o impasse continuar, a indicação de Messias pode superar o tempo de espera enfrentado por André Mendonça.

Quando foi indicado por Jair Bolsonaro, Mendonça aguardou 141 dias para ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça.

Na época, Alcolumbre presidia o colegiado e tentou convencer Bolsonaro a escolher outro nome.

Agora, o governo prefere segurar o envio formal da indicação para evitar que o Senado rejeite o escolhido de Lula.

Desde o anúncio do nome de Messias, em novembro de 2025, já se passaram mais de três meses sem que o processo avance.

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