CPI do Crime Organizado

Fundo ligado à Reag recebeu R$ 1 bilhão de empresas investigadas por lavagem de dinheiro do PCC

Relatórios enviados ao Senado indicam que fundo administrado pela Reag recebeu R$ 1 bilhão de empresas investigadas por lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

Ipolítica, com informações do g1

Fundo administrado pela Reag recebeu R$ 1 bilhão de empresas investigadas por lavagem de dinheiro do PCC, segundo dados enviados ao Senado. (Reprodução/Instagram)

BRASÍLIA – Relatórios enviados ao Senado apontam que um fundo administrado pela Reag recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas investigadas por lavagem de dinheiro do PCC. Os dados foram encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPI do Crime Organizado.

As informações envolvem movimentações financeiras registradas entre 2023 e 2025.

Fundo ligado à Reag e lavagem de dinheiro do PCC

Segundo os comunicados bancários, o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu valores de empresas apontadas pela Polícia Federal como parte de esquema de lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro.

Dados da Anbima indicam que o fundo é administrado, controlado, gerido, custodiado e distribuído pela Reag, empresa que também aparece em investigações relacionadas ao Banco Master.

Os documentos enviados ao Senado mostram que o total das transferências chega a R$ 1 bilhão.

De acordo com registros na Comissão de Valores Mobiliários, o fundo possui cerca de R$ 2 bilhões em ativos.

Empresas investigadas fizeram repasses

Entre as transferências identificadas estão:

  • R$ 759,5 milhões da Aster Petróleo
  • R$ 158 milhões da BK Bank
  • R$ 175 milhões da Inovanti Instituição de Pagamento

A Aster Petróleo é citada na Operação Carbono Oculto como parte de esquema de lavagem de dinheiro e sonegação no setor de combustíveis em vários estados.

A BK Bank e a Inovanti também aparecem em relatórios policiais como instituições usadas para movimentar recursos de pessoas investigadas.

O comunicado sobre a Aster foi feito pelo Banco do Brasil ao Coaf em agosto de 2024, antes da operação policial.

Transferência para empresa ligada a Zettel

Relatório enviado pela própria Reag ao Coaf informa que o fundo também transferiu R$ 180 milhões para a empresa Super Empreendimentos.

A companhia teve como diretor, entre 2021 e 2024, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.

O comunicado foi feito uma semana após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, em setembro de 2025.

Investigações sobre a Reag

A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master e levou à prisão de Daniel Vorcaro.

Segundo investigadores, a empresa teria participado da estruturação de fundos usados para movimentações financeiras consideradas atípicas.

A suspeita é que a estrutura permitia inflar resultados, ocultar riscos e dificultar a identificação de beneficiários finais.

A empresa também aparece na Operação Carbono Oculto, que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis.

Investigadores apontam que a organização criminosa teria usado fundos com cotista único para dificultar o rastreamento do dinheiro.

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