Em Brasília

Jornalistas sofrem ameaças durante cobertura da internação de Bolsonaro

Entidades de imprensa cobram proteção após profissionais relatarem ataques virtuais e presenciais.

Imirante.com

Fenaj, Abraji e sindicato pedem investigação e reforço na segurança durante cobertura da internação de Bolsonaro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA - Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham diante do hospital particular onde o ex-presidente da República Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais.

Vídeo divulgado nas redes sociais gerou onda de ataques

Segundo a Abraji, alguns jornalistas passaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa profissionais de imprensa que aparecem em imagens gravadas na porta do hospital de desejarem a morte de Bolsonaro.

O vídeo foi compartilhado por parlamentares e também pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que possui mais de 8 milhões de seguidores em suas redes sociais.

A Abraji classificou a divulgação do conteúdo, sem qualquer verificação prévia, como um gesto irresponsável. De acordo com a associação, o registro foi deturpado e acabou expondo jornalistas que estavam apenas exercendo sua função profissional a ameaças e difamações.

“É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual, é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, afirmou a entidade em nota divulgada neste domingo (15).

Ataques também ocorreram fora do ambiente digital

Ainda segundo a Abraji, as agressões não ficaram restritas ao ambiente virtual. Pelo menos duas repórteres sofreram ataques presenciais ao serem reconhecidas na rua.

A associação também informou que montagens e vídeos produzidos com uso de inteligência artificial passaram a circular nas redes sociais. Em um dos casos, o material simula que uma das profissionais é esfaqueada. Fotos de filhos e parentes de jornalistas também estariam sendo utilizadas como forma de intimidação e assédio.

Entidades cobram proteção e investigação das ameaças

Em nota conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal cobraram proteção aos trabalhadores da imprensa.

“As entidades lembram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, afirmaram, ao antecipar que irão solicitar reforço da Polícia Militar em frente ao hospital para impedir possíveis agressões ou tentativas de cerceamento ao trabalho da imprensa por parte de militantes.

As organizações também pediram investigação rigorosa das ameaças e responsabilização dos autores.

“Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os responsáveis pelas ameaças virtuais e pela exposição indevida de dados dos profissionais”, destacaram.

As entidades também defenderam que empresas de comunicação ofereçam condições adequadas para o trabalho de seus funcionários, incluindo a possibilidade de afastamento do local caso não se sintam seguros, além de suporte jurídico.

“Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica”, concluem.

A reportagem não conseguiu contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal nem com a Polícia Civil para saber se boletins de ocorrência foram registrados.

Bolsonaro segue internado na UTI

Jair Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star desde a manhã da última sexta-feira (13), onde trata uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa.

Segundo boletim médico divulgado neste domingo (15), o quadro clínico do ex-presidente é estável. O documento também informa que houve melhora da função renal de sábado (14) para domingo, mas, devido ao aumento de marcadores inflamatórios no sangue, os médicos decidiram ampliar a dosagem de antibióticos.

Ainda não há previsão de quando ele poderá deixar a UTI e seguir para um quarto. Após a alta hospitalar, Bolsonaro deverá retornar ao prédio conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.

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