BRASÍLIA – A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para presidir o colegiado neste ano. A parlamentar recebeu 11 votos, enquanto houve dez votos em branco, em uma votação marcada por debate entre parlamentares da base e da oposição.
Ela assume a presidência da Comissão da Mulher no lugar da deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) e se torna a primeira mulher trans a comandar o colegiado desde a criação do grupo na Câmara.
Posse de Erika Hilton
No discurso após a eleição, Erika Hilton destacou o significado simbólico da escolha e afirmou que pretende conduzir o trabalho com diálogo e foco na defesa dos direitos das mulheres em diferentes contextos sociais.
“Esta presidência não é apenas um nome, é o símbolo de uma democracia que se expande”, afirmou.
A deputada disse que a gestão será voltada para mulheres de diferentes realidades, incluindo trabalhadoras, mães solo, mulheres negras, indígenas e aquelas que vivem em situação de vulnerabilidade.
Prioridades da Comissão da Mulher
Entre as principais ações anunciadas por Erika Hilton para a Comissão da Mulher estão:
- fiscalização da rede de proteção às mulheres;
- acompanhamento das Casas da Mulher Brasileira;
- combate à violência política de gênero;
- fortalecimento de políticas de saúde integral feminina.
Segundo a deputada, a comissão deve atuar para garantir que políticas públicas cheguem de forma efetiva às mulheres em todo o país.
Críticas da oposição
A eleição de Erika Hilton foi criticada por parlamentares da oposição, que afirmaram que a presidência da Comissão da Mulher deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero.
Deputadas contrárias à escolha também disseram que o colegiado não deveria ser conduzido com viés ideológico e defenderam que a comissão mantenha foco em pautas que consideram tradicionais na defesa da família e da maternidade.
Durante o debate, parlamentares afirmaram que a escolha representa divergência de visão sobre o papel da comissão dentro da Câmara.
Defesa da pluralidade
Deputadas que apoiaram a eleição afirmaram que a Comissão da Mulher deve representar a diversidade da sociedade brasileira e garantir espaço para diferentes experiências.
A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), eleita primeira vice-presidente, disse que o trabalho do colegiado deve ser voltado para melhorar a vida das mulheres independentemente de posições políticas.
Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a comissão precisa ser um espaço de acolhimento e de defesa de direitos, sem exclusões, e que o foco deve ser a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo parlamentares favoráveis à eleição, a escolha de Erika Hilton reforça o caráter plural da Câmara e amplia a representação dentro do colegiado.
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