BRASIL - No âmbito do Caso Master, a Polícia Federal (PF) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o banqueiro Daniel Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária vinculada ao pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido colocado em liberdade no fim de 2025.
O pedido de prisão preventiva foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do Caso Master. Vorcaro foi preso novamente.
Ocultação bilionária no Caso Master
Segundo a PF, as informações foram obtidas durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026. As medidas de bloqueio financeiro identificaram um montante de R$ 2.245.235.850,24 mantido junto à CBSF DTVM, conhecida no mercado como REAG.
No pedido enviado ao STF, os investigadores classificam o valor como “quantia impressionante” e sustentam que a ocultação teria continuado mesmo após a soltura do banqueiro.
De acordo com a corporação, a organização criminosa investigada no Caso Master teria utilizado nomes de terceiros para manter valores fora do alcance de credores e autoridades.
Risco de fuga e patrimônio no exterior
No documento, a PF afirma que o risco de fuga permanece elevado. Entre os argumentos apresentados estão:
- Existência de jatos privados à disposição do investigado;
- Patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais;
- Indícios de dilapidação de bens.
A decisão de André Mendonça menciona ainda risco à ordem pública, possibilidade de destruição de provas e continuidade de crimes financeiros.
Defesa nega existência da conta
Em nota, a defesa de Henrique Moura Vorcaro afirmou que são incorretas as informações sobre a titularidade da conta mencionada na decisão do STF.
Os advogados declararam desconhecer a existência de qualquer conta com os valores apontados e informaram que solicitaram acesso à documentação apresentada pela PF para verificar eventuais equívocos.
Impacto no Fundo Garantidor de Créditos
No pedido de prisão, a PF comparou a suposta ocultação dos recursos ao rombo deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, estimado em quase R$ 40 bilhões, valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo a corporação, enquanto o fundo atuava para cobrir prejuízos do sistema financeiro, recursos bilionários estariam sendo mantidos fora do alcance das vítimas.
Organização criminosa e novas prisões
A decisão judicial também cita a existência de uma suposta “milícia privada” chamada “A Turma”, utilizada para monitorar e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.
Além de Daniel Vorcaro, também foram presos:
- Fabiano Zettel;
- Luiz Phillipi Mourão;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado.
A investigação aponta ainda suspeitas de cooptação de servidores ligados ao Banco Central, que teriam atuado como consultores informais do grupo.
Contexto do Caso Master
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, marcou um dos principais desdobramentos do Caso Master. A instituição enfrentava alto risco de insolvência, pressionada por captações com juros elevados e exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda do banco, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB), não avançaram após questionamentos de órgãos de controle.
O Caso Master segue sob investigação da Polícia Federal e tramita no Supremo Tribunal Federal.
Saiba Mais
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