STF

Supremo reage ao Planalto e critica postura de Lula no caso Toffoli

Ministros avaliam que governo se distancia da crise e deixa desgaste político recair sobre o STF

Ipolítica, com informações do g1

Nos bastidores, a leitura é a de que Lula “lava as mãos” diante do episódio e deixa o STF sozinho no centro da crise ( Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

BRASÍLIA – Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, ministros que atuam na defesa de Dias Toffoli relatam um clima de forte irritação com o Palácio do Planalto. A avaliação desse grupo é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria se afastando da crise envolvendo o ministro no chamado caso Toffoli, permitindo que o desgaste político recaia exclusivamente sobre a Corte.

Para integrantes dessa ala do Supremo, o governo tenta se descolar do problema e empurra o ônus institucional para o tribunal. Nos bastidores, a leitura é a de que Lula “lava as mãos” diante do episódio e deixa o STF sozinho no centro da crise.

Ministros se mobilizam para evitar desgaste maior da Corte

O sentimento tem aproximado magistrados em torno da defesa de Toffoli. Segundo relatos, ministros passaram a se mobilizar em busca de uma saída institucional que preserve o tribunal, mesmo diante do agravamento do cenário.

Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de o caso ser remetido à primeira instância, mas com manutenção da condução no âmbito do Supremo. A avaliação é de que um colapso completo da situação de Toffoli teria custo elevado para toda a Corte, ao abrir precedentes e expor o STF a maior vulnerabilidade.

Avaliação interna aponta situação insustentável

Ministros relataram que foram informados por investigadores de que a situação do relator do chamado caso Master se tornou insustentável. O diagnóstico ampliou a preocupação interna e acelerou as discussões sobre como conter os impactos políticos e institucionais.

Apesar disso, integrantes do tribunal avaliam que uma solução radical pode aprofundar a crise, especialmente se envolver questionamentos diretos à permanência do ministro.

Hipótese de afastamento enfrenta resistência

Entre as propostas mais ousadas debatidas nos bastidores está a possibilidade de afastamento de Toffoli e a abertura de caminho para a indicação de um novo ministro, com eventual apoio do Centrão no Senado.

Essa alternativa, no entanto, encontra resistência dentro do STF. Ministros lembram que o governo ainda enfrenta dificuldades para viabilizar indicações pendentes. Um exemplo citado é a tentativa de nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga já existente na Corte.

Na avaliação de magistrados, abrir uma nova articulação política em meio à crise agravaria o cenário e aumentaria o desgaste institucional.

Críticas à relação do Planalto com o STF

O episódio reforçou, entre ministros, a percepção de que o Planalto recorre ao Supremo como aliado em momentos estratégicos de governabilidade, mas se distancia quando o custo político aumenta.

Para esse grupo, o problema deixou de ser apenas jurídico ou institucional e passou a ser político. A avaliação é de que o governo instrumentaliza o STF conforme a conveniência e se afasta quando o desgaste se intensifica.

Autopreservação institucional orienta reação

É esse contexto que, segundo relatos, sustenta a reação interna no tribunal. A defesa de Toffoli passa a ser vista não apenas como afinidade pessoal, mas como uma estratégia de autopreservação institucional.

Na lógica que circula entre ministros, permitir que um integrante da Corte “exploda” sem uma rede de contenção abre um precedente considerado perigoso, sobretudo em um cenário de crise política e de distanciamento do Executivo.

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