PolĂ­tica

"Trump quer criar nova ONU", diz Lula sobre Conselho de Paz

Presidente participou do encerramento do encontro do MST em Salvador.

Luciano Nascimento / AgĂȘncia Brasil

O presidente Lula durante a sessão de encerramento do 14º Encontro Nacional do MST. (Ricardo Stuckert / PR)

SALVADOR - O presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (23) que a polĂ­tica mundial atravessa um momento crĂ­tico, “com o multilateralismo sendo jogado fora pelo unilateralismo”. Durante o encerramento do 14Âș Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das NaçÔes Unidas (ONU) estĂĄ sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

“EstĂĄ prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU estĂĄ sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos paĂ­ses [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de MĂ©xico, do Brasil, de paĂ­ses africanos
 E o que estĂĄ acontecendo: o presidente Trump estĂĄ fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho Ă© o dono da ONU”, afirmou Lula.

O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor o Conselho de Paz, que serĂĄ criado para supervisionar o trabalho de um ComitĂȘ Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglĂȘs).

Lula estĂĄ conversando com lĂ­deres mundiais sobre Conselho de Paz

Lula disse ainda que estĂĄ telefonando para vĂĄrios lĂ­deres mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da RĂșssia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do MĂ©xico, Claudia Sheinbaum.

“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerñncia de qualquer país do mundo”, pontuou.

Lula critica ação dos Estados Unidos na Venezuela

O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolås Maduro e da deputada e primeira-dama, deputada Cilia Flores.

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. NĂŁo consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguĂ©m soube que o Maduro foi embora. Como Ă© possĂ­vel a falta de respeito Ă  integridade territorial de um paĂ­s? NĂŁo existe isso na AmĂ©rica no Sul. A AmĂ©rica do sul Ă© um territĂłrio de paz, a gente nĂŁo tem bomba atĂŽmica”, disse.

Citando os Estados Unidos, Cuba, a RĂșssia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil nĂŁo tem preferĂȘncia de relação com qualquer paĂ­s, mas que nĂŁo vai aceitar “voltar a ser colĂŽnia para alguĂ©m mandar na gente”.

Lula critica postura de Donald Trump

O presidente também criticou a postura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer política na paz, no diålogo e não aceitando imposição de qualquer país.

“Eu nĂŁo quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, nĂŁo quero fazer guerra armada com a RĂșssia, nem com o Uruguai, nem com a BolĂ­via. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia Ă© imbatĂ­vel; que a gente nĂŁo quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “NĂŁo queremos mais Guerra Fria, nĂŁo queremos mais Gaza”, completou.

Encontro do MST em Salvador

O 14Âș Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) terminou com um ato marcando os 42 anos do MST, celebrados no dia 22 de janeiro e que contou com a presença de autoridades, parlamentares, representantes de movimentos sociais e sindicais, alĂ©m de apoiadores do movimento.

O encontro, que começou na segunda-feira (19), reuniu delegaçÔes de todo o Brasil, com mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras sem terra. Durante os cinco dias, membros do MST debateram reforma agråria, produção de alimentos saudåveis, agroecologia, agricultura familiar, a conjuntura política atual, seus desafios e o papel do movimento neste contexto.

Carta do MST Ă© entregue a Lula

Ao final, uma carta do movimento foi entregue ao presidente. No texto, o MST tambĂ©m critica a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e do imperialismo no continente, citando a invasĂŁo da Venezuela e o ataque Ă  soberania dos povos. No documento, o movimento alerta que açÔes como essa tĂȘm como pano de fundo o “saque” de bens comuns da natureza como petrĂłleo, minĂ©rios, terras raras, ĂĄguas e florestas.

O texto reafirma ainda os princípios do movimento: a luta pela reforma agråria e pelo socialismo; a crítica ao modelo do agronegócio, da exploração mineral e energética; a luta anti-imperialista e o internacionalismo; além da solidariedade, em especial com a Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

“Assim convocamos toda a sociedade brasileira para: - lutar por melhores condiçÔes de vida e trabalho e em defesa da paz e da soberania contra as guerras e as bases militares; avançar na luta em defesa da natureza e contra os agrotĂłxicos. Contamos com a participação de todos e todas que nos apoiam e Ă  classe trabalhadora a se somarem na luta pela Reforma AgrĂĄria Popular, rumo Ă  construção de outro projeto de paĂ­s”, finaliza o documento.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa pågina no Facebook e Youtube. Envie informaçÔes à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.