Segurança

Força Nacional aumentará efetivo na fronteira do Brasil com Venezuela

Portaria do Ministério da Justiça foi publicada hoje no Diário Oficial.

Agência Brasil

Força Nacional aumentará efetivo na fronteira do Brasil com Venezuela (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

BRASÍLIA - A instabilidade política na Venezuela e as possíveis consequências da ação militar que os Estados Unidos realizaram no último sábado (3) para depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro motivaram o governo brasileiro a ampliar o efetivo de agentes da Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com o país vizinho.

Uma portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8) autoriza o emprego de agentes da tropa federativa na capital de Roraima, Boa Vista, e em Pacaraima (RR), cidade fronteiriça e principal porta de entrada para o território brasileiro para venezuelanos que deixam seu país.

Agentes atuarão em dois municípios de Roraima

Assinado pelo ministro Ricardo Lewandowski, o texto da Portaria MJSP 1.127 estabelece que os agentes atuarão nos dois municípios de Roraima pelos próximos 90 dias – prazo que, se necessário, poderá ser estendido.

Durante este período, a tropa vai apoiar os órgãos de segurança pública estaduais, nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública” e à garantia da integridade da população.

A Agência Brasil entrou em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública a fim de obter mais detalhes sobre a medida e aguarda por uma manifestação da pasta.

Acordo

Recentemente, União e o governo de Roraima chegaram a um acordo para tentar pôr fim a uma disputa judicial que se arrasta desde abril de 2018, no Supremo Tribunal Federal (STF).

A proposta, que ainda precisa ser homologada pela Corte, prevê que o governo federal repasse ao estado R$ 115 milhões a título de ressarcimento das despesas extraordinárias que Roraima assumiu nos últimos anos, em função do aumento do fluxo migratório venezuelano.

Segundo o governo estadual, a conciliação judicial foi formalizada no âmbito da Ação Cível Originária (ACO) nº 3.121 relatada pelo ministro Luiz Fux.

Ainda de acordo com o governo estadual, o termo de conciliação busca encerrar o litígio e prevê a aplicação dos recursos em ações de promoção da saúde (R$ 36 milhões); educação (R$ 10 milhões); segurança pública (R$ 63 milhões) e no sistema prisional estadual (R$ 6 milhões).

Para o governador Antonio Denarium, o acordo tenta corrigir “uma distorção histórica no pacto federativo”, já que, por sua localização geográfica, Roraima acabou assumindo, “de forma desproporcional” os impactos de uma crise de dimensão nacional e internacional.

O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que cerca de 7,9 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014 em busca de proteção e de uma vida melhor. Destes, cerca de 732 mil permanecem no Brasil.

“Roraima nunca se omitiu diante da crise humanitária [na Venezuela], mas não poderia continuar arcando sozinha com esse ônus. Esse acordo representa justiça federativa, fortalece a cooperação entre os entes e garante condições reais para que o Estado continue atendendo a população sem comprometer serviços essenciais”, afirmou o governador à época.

Força Nacional

Formada por agentes federais e policiais militares e civis (incluindo bombeiros e peritos) cedidos por estados e pelo Distrito Federal, a Força Nacional de Segurança Pública é subordinada à Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O contingente pode ser empregado em qualquer parte do território nacional, a pedido dos governadores ou de ministérios que precisem de apoio para executar suas ações. O Ministério não informou o total de agentes da Força Nacional empregados em Roraima.

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