RIO - O padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Menor em São Paulo, vai ter proteção policial. Ele denunciou à polícia que foi vítima de extorsão. O acusado é um ex-interno da Febem, que o padre Júlio admite ter ajudado.
O padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Menor em São Paulo, vai ter proteção policial. Ele denunciou à polícia que foi vítima de extorsão. O acusado é um ex-interno da Febem, que o padre Júlio admite ter ajudado.
Padre Júlio faz questão de dizer: os R$ 50 mil que lhe tomaram não saíram das obras sociais que ajudou a criar. Vieram de economias e empréstimos.
“Esses recursos que chegaram à mão dessas pessoas nunca foram tirados de nenhuma dessas entidades que têm uma contabilidade própria, recursos aos quais eu não tenho acesso e não posso dispor deles”, afirmou o padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Menor.
Foi na antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) que padre Júlio conheceu o homem que acusa de tramar o golpe: Anderson Marcos Batista, um ex-interno.
Padre Júlio conta que ajudou Anderson diversas vezes desde que ele saiu da Febem, como fez com tantos outros jovens. Depois, Anderson se casou. De três anos para cá, ele e a mulher passaram a fazer exigências e a ameaçar.
“É a forma de dizer: ‘Eu vou resolver do meu jeito, você sabe qual é o meu jeito’. E um dia que eu disse: ‘Eu estou cansado de viver assim’. Ele disse: ‘Se você está cansado de viver, posso lhe ajudar’”, contou Padre Júlio.
Segundo o padre, chegaram a ameaçá-lo com uma falsa denúncia de pedofilia. Em bilhetes, Anderson escreveu: “Preciso de dinheiro para um terreno. Quero R$ 1,5 mil para ir à praia”.
Quando o casal quis um carro importado, Padre Julio foi o fiador. Pagou R$ 16 mil, o equivalente a oito prestações.
Os últimos R$ 2 mil da extorsão Padre Júlio entregou a um emissário de Anderson na porta de uma igreja, na Zona Leste de São Paulo. Era Everson dos Santos Guimarães, preso com o dinheiro. O irmão dele, também acusado de ser intermediário, está sendo procurado.
Por que o padre não fez a denúncia antes?
“Eu acreditava que ia conseguir tocar no coração deles e que eles iam mudar pelo bem, e não pelo mal, não pela força”, comentou o padre.
Além de triste, o padre Júlio Lancellotti diz estar apreensivo. Ele teme pela própria segurança, já que três dos quatro acusados continuam em liberdade.
A Arquidiocese de São Paulo estudava um pedido de proteção às autoridades policiais, mas a delegacia que investiga o caso se antecipou e, a partir da noite desta quarta-feira (17), investigadores estarão à disposição para garantir a segurança do padre.
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