SÃO LUÍS - São fortes as especulações de que o número de vítimas do hippie José Vicente Matias, o Corumbá ou Magrão, possa ser superior aos confessados à polícia do Maranhão. São seis crimes macabros, cometidos com requintes de crueldades e pitadas satânicas, mas os investigadores trabalham com a hipótese de que o matador tenha ainda muito mais casos a esclarecer.
Ontem, em Pirenópolis, a polícia encontrou os documentos da judia russa Katryn Rakitov, nas proximidades do local onde estava a ossada, localizada há duas semanas.
Com a localização dos documentos, a polícia goiana já não tem mais dúvida de que os ossos pertencem mesmo a Katryn, uma vez que os dados fornecidos pelo hippie foram comprovados. Falta agora apenas a oficialização da identificação da mulher, que deve acontecer com a divulgação do laudo dos exames periciais sob a responsabilidade do Icrim de Goiânia.
Para os policiais do Maranhão, Corumbá pode vir a revelar novas ações criminosas, desde que se encontrem evidências de apenas mais um crime cometido por ele, a exemplo do que aconteceu com matador em série Francisco das Chagas Rodrigues de Brito, que confessou a morte de 41 meninos no Maranhão e Pará.
Corumbá sustenta uma versão fantasiosa de que sua meta era matar apenas sete mulheres. Crimes estes, segundo ele, encomendados pelo próprio Lúcifer, que teria prometido que nada lhe faltaria quando concluísse a sua meta. O próprio hippie comentou, em entrevista à imprensa, que desde que começou a matar as mulheres nunca mais lhe faltou “grana”.
O hippie “esqueceu” de contar que de todas as suas vítimas, levava o dinheiro e, quando teve oportunidade, cartão de crédito com senha, daí não lhe faltar dinheiro após os crimes.
Ao invés de refletir sobre os crimes cometidos enquanto está trancado, sozinho, em uma cela na delegacia de Homícidios, Corumbá – apelido o qual não gosta de ser chamado -, passa os dias divagando, sonhando com aquela que seria sua sétima vítima. Uma jovem de pele clara, rosto fino, olhos esverdeados e cabelos ruivos.
Ele já estava em busca deste rosto, viajando pelo Pará e se preparando para ir ao Amapá, quando a polícia maranhense, conhecida pelo seu excelente trabalho investigativo, foi mais rápida e o prendeu. Na ocasião da prisão, Corumbá chegou a agradecer, dizendo-se aliviado já que não queria mais matar.
Sem ter como negar, Corumbá confessou ter matado a alemã Marianne Kern e a espanhola Núria Fernandez. Claro que, primeiro, ele as acusou de tê-lo agredido. Na primeira versão apresentada pelo hippie, logo que chegou do Pará, ele era a vítima, porque elas o agrediram. Ele apenas defendeu-se.
Mais tarde, o hippie começou a mudar o teor da confissão e, finalmente, quando prestou os depoimentos que ensejaram as reconstituições dos crimes cometidos no Maranhão, já apontava a versão diabólica do sacrifício delas para seu bem estar.
Pior, o hippie empolgou-se nas reconstituições e contou que lambeu o cérebro exposto da alemã e que teria comido pedaços da massa encefálica da espanhola. Isso, depois de beber e de se lambuzar com o sangue delas.
Ele também confessou outros quatro crimes cometidos em três estados – uma delas decaptada. A polícia desse estados já aponta outras possíveis vítimas do acusado.
Laudo
Se as informações aterrorizam, também mostram que a polícia não está tratando com uma pessoa normal, mas de uma com a mente perturbada. Até o final da próxima semana, o laudo psicológico de Corumbá deve estar concluído e a partir daí poderá ser esclarecido a motivação dos crimes e os transtornos de personalidade que geraram tanta violência.
A história de vida do hippie, que já foi esmiuçada pela imprensa, mostra uma infância sofrida, violenta e solitária. As constantes dores de cabeça reclamadas por ele, podem ter como origem pancadas sofridas na infância. Violência que pode ter marcado a sua vida, e que o levaram a matar da mesma forma, batendo na cabeça das vítimas.
Todos estes aspectos farão parte do estudo de caso feito pelo psicólogo Carlos Leal, que o entrevistou duas vezes.
Enquanto isso, na delegacia, Corumbá continua fantasiando a sétima vítima, a que ele não conseguiu encontrar antes de ser preso.
Saiba Mais
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.