Estados querem ICMS sobre cada produto

AgĂȘncia Folha

Atualizada em 27/03/2022 Ă s 14h49

BRASÍLIA – Os Estados e o governo tentam acertar os Ășltimos detalhes da reforma tributĂĄria, parada no Congresso Nacional desde 2003. Os governos estaduais resistem em reduzir ao mĂ­nimo o imposto cobrado sobre os remĂ©dios, alegando perdas. Querem tambĂ©m ficar com o direito de definir a alĂ­quota que irĂĄ incidir sobre cada produto.

Segundo Albérico Machado Mascarenhas, secretårio de Fazenda da Bahia, os Estados terão perdas de arrecadação se reduzirem a 7% a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de todos os medicamentos. De acordo com ele, nesse modelo as perdas aos Estados chegariam a R$ 3,5 bilhÔes por ano. Só São Paulo perderia R$ 1,8 bilhão.

No atual desenho da reforma tributåria, a alíquota mínima de ICMS seria de 7%, e entrariam nessa faixa produtos da cesta båsica, medicamentos e consumo de energia para a população de baixa renda. A sugestão dos Estados é deixar que o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendåria) defina a alíquota para os remédios de forma a manter a arrecadação. O conselho é formado pelos secretårios de Fazenda de todos os Estados e do Distrito Federal.

"A nossa sugestão é que essa definição fique para o Confaz, com aprovação posterior do Senado, para que os Estados possam fazer a calibragem não aumentando a carga tributåria mas também para que não haja perda de receita", explica. De acordo com o secretårio, seria mantida a isenção que existe hoje para alguns medicamentos, como aqueles para o tratamento da Aids.

"O Confaz tem atendido ao longo desse tempo todos os pedidos do MinistĂ©rio da SaĂșde para a isenção desses medicamentos". Para Mascarenhas, o governo deve atender a esse pedido, jĂĄ "que os Estados nĂŁo querem aumentar a carga tributĂĄria, mas tĂȘm dificuldade em reduzir a alĂ­quota de todos os medicamentos".

Os Estados querem ainda que o texto que serĂĄ enviado para a CĂąmara dos Deputados – onde a votação da reforma estĂĄ prevista para o prĂłximo dia 29 – identifique apenas as alĂ­quotas mĂ­nima, 7%, e mĂĄxima, 25%. As demais seriam tambĂ©m definidas pelo Confaz, assim como qual produto entrarĂĄ em qual faixa – hoje, cada Estado tem sua prĂłpria legislação de ICMS.

Segundo ele, alĂ©m dos remĂ©dios, os Estados tĂȘm perdas com a isenção prevista para alguns produtos da cesta bĂĄsica (R$ 800 milhĂ”es) e a possĂ­vel redução de alĂ­quota do Ăłleo diesel (R$ 1 bilhĂŁo). Essa perda Ă© maior em alguns Estados do que em outro, jĂĄ que os impostos hoje cobrados sĂŁo diferentes e os produtos tĂȘm pesos diferentes na economia de cada regiĂŁo.

Em troca de definir as alĂ­quotas – o que garante que nĂŁo haverĂĄ perda de receita –, os Estados abrem mĂŁo do seguro-receita, hoje de R$ 2 bilhĂ”es. Pela proposta atual, o seguro-receita seria utilizado caso os Estados nĂŁo consigam repor as perdas mesmo com o uso da banda – mecanismo que permite aumentar em atĂ© cinco percentuais o ICMS de quatro produtos caso haja perdas de arrecadação.

A idĂ©ia Ă© com essa "folga" dada ao governo federal, aumentar o FDR (Fundo de Desenvolvimento Regional), que hoje Ă© de R$ 1,9 bilhĂŁo – os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste ficam com a maior parte desse dinheiro. Na proposta dos Estados, o fundo seria composto por 2% da arrecadação do Imposto de Renda e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o que daria cerca de R$ 2,5 bilhĂŁo.

Nesse ponto, no entanto, nĂŁo hĂĄ consenso, ea definição fica para amanhĂŁ, na reuniĂŁo que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente da CĂąmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), tĂȘm com os governadores.

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