BRASĂLIA â Os Estados e o governo tentam acertar os Ășltimos detalhes da reforma tributĂĄria, parada no Congresso Nacional desde 2003. Os governos estaduais resistem em reduzir ao mĂnimo o imposto cobrado sobre os remĂ©dios, alegando perdas. Querem tambĂ©m ficar com o direito de definir a alĂquota que irĂĄ incidir sobre cada produto.
Segundo AlbĂ©rico Machado Mascarenhas, secretĂĄrio de Fazenda da Bahia, os Estados terĂŁo perdas de arrecadação se reduzirem a 7% a alĂquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de todos os medicamentos. De acordo com ele, nesse modelo as perdas aos Estados chegariam a R$ 3,5 bilhĂ”es por ano. SĂł SĂŁo Paulo perderia R$ 1,8 bilhĂŁo.
No atual desenho da reforma tributĂĄria, a alĂquota mĂnima de ICMS seria de 7%, e entrariam nessa faixa produtos da cesta bĂĄsica, medicamentos e consumo de energia para a população de baixa renda. A sugestĂŁo dos Estados Ă© deixar que o Confaz (Conselho Nacional de PolĂtica FazendĂĄria) defina a alĂquota para os remĂ©dios de forma a manter a arrecadação. O conselho Ă© formado pelos secretĂĄrios de Fazenda de todos os Estados e do Distrito Federal.
"A nossa sugestão é que essa definição fique para o Confaz, com aprovação posterior do Senado, para que os Estados possam fazer a calibragem não aumentando a carga tributåria mas também para que não haja perda de receita", explica. De acordo com o secretårio, seria mantida a isenção que existe hoje para alguns medicamentos, como aqueles para o tratamento da Aids.
"O Confaz tem atendido ao longo desse tempo todos os pedidos do MinistĂ©rio da SaĂșde para a isenção desses medicamentos". Para Mascarenhas, o governo deve atender a esse pedido, jĂĄ "que os Estados nĂŁo querem aumentar a carga tributĂĄria, mas tĂȘm dificuldade em reduzir a alĂquota de todos os medicamentos".
Os Estados querem ainda que o texto que serĂĄ enviado para a CĂąmara dos Deputados â onde a votação da reforma estĂĄ prevista para o prĂłximo dia 29 â identifique apenas as alĂquotas mĂnima, 7%, e mĂĄxima, 25%. As demais seriam tambĂ©m definidas pelo Confaz, assim como qual produto entrarĂĄ em qual faixa â hoje, cada Estado tem sua prĂłpria legislação de ICMS.
Segundo ele, alĂ©m dos remĂ©dios, os Estados tĂȘm perdas com a isenção prevista para alguns produtos da cesta bĂĄsica (R$ 800 milhĂ”es) e a possĂvel redução de alĂquota do Ăłleo diesel (R$ 1 bilhĂŁo). Essa perda Ă© maior em alguns Estados do que em outro, jĂĄ que os impostos hoje cobrados sĂŁo diferentes e os produtos tĂȘm pesos diferentes na economia de cada regiĂŁo.
Em troca de definir as alĂquotas â o que garante que nĂŁo haverĂĄ perda de receita â, os Estados abrem mĂŁo do seguro-receita, hoje de R$ 2 bilhĂ”es. Pela proposta atual, o seguro-receita seria utilizado caso os Estados nĂŁo consigam repor as perdas mesmo com o uso da banda â mecanismo que permite aumentar em atĂ© cinco percentuais o ICMS de quatro produtos caso haja perdas de arrecadação.
A idĂ©ia Ă© com essa "folga" dada ao governo federal, aumentar o FDR (Fundo de Desenvolvimento Regional), que hoje Ă© de R$ 1,9 bilhĂŁo â os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste ficam com a maior parte desse dinheiro. Na proposta dos Estados, o fundo seria composto por 2% da arrecadação do Imposto de Renda e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o que daria cerca de R$ 2,5 bilhĂŁo.
Nesse ponto, no entanto, nĂŁo hĂĄ consenso, ea definição fica para amanhĂŁ, na reuniĂŁo que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente da CĂąmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), tĂȘm com os governadores.
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