BRASÍLIA - O ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva entra hoje no Palácio do Planalto pela primeira vez como presidente eleito. Será o início da transição para o futuro governo, que começa às 11h, no encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente anunciou que a segurança pública será um dos principais assuntos do encontro porque trata-se de um tema delicadíssimo. Ele disse ainda que discutirá com Lula todos os assuntos delicados e que já estão em debate, numa referência à questão econômica.
O presidente estará acompanhado do coordenador da transição, ministro Pedro Parente, e do secretário-geral da Presidência, Euclides Scalco. Já Lula estará acompanhado do presidente nacional do PT, José Dirceu, que deve ser o coordenador da equipe de transição do presidente eleito, e pelo coordenador do programa de governo, Antonio Palocci. O presidente disse que a questão da segurança é a mais sensível hoje. Lula criticou na campanha a atuação do governo no combate à violência.
— Diria que talvez a preocupação maior seja de segurança. A responsabilidade não é do presidente eleito é do país todo — disse Fernando Henrique, afirmando que é uma questão difícil.
No encontro de hoje, Fernando Henrique apresentará sua equipe de transição. Na área econômica, os interlocutores serão o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Farão parte da equipe de transição ainda todos os secretários-executivos do Ministério. Segundo assessores do presidente, será uma equipe técnica, para facilitar a passagem dos dados ao sucessor.
Ao antecipar os pontos que discutirá hoje com o sucessor, Fernando Henrique disse ontem que está disposto a enviar ao Senado os novos nomes da diretoria do Banco Central, se assim o petista quiser. Como os nomes precisam ser aprovados pelo Senado, o objetivo seria evitar um vácuo de poder no Banco Central a partir de janeiro, quando Armínio Fraga deixa o comando do BC.
Mas Fernando Henrique deixou claro que não havia conversado sobre esse assunto com Lula, ressaltando apenas que facilitaria a transição e não criaria 'entraves para o próximo governo'.
— Minha disposição é a de facilitar a continuidade das políticas, conforme o presidente eleito disse, a continuidade dos contratos, dos compromissos que o Brasil tem tanto no plano internacional quanto à questão financeira — disse Fernando Henrique Cardoso.
O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) será o interlocutor para assuntos do Congresso. Madeira afirmou que nos próximos dois meses vai estar em contato direto com os líderes do PT no Parlamento para encaminhar a votação de projetos de acordo com os interesses do presidente eleito.
Madeira informou ainda que esta semana será dedicada a conversas com os líderes dos outros partidos na Câmara para tentar votar, na próxima semana, as 37 medidas provisórias que estão trancando a pauta. O líder tucano destacou ainda que é importante que o Congresso consiga votar o Orçamento de 2003 até o fim de dezembro. A equipe de Lula trabalhará no Centro de Formação do Banco do Brasil. Depois do encontro, José Dirceu deverá ir com Parente conhecer a sede da transição.
— Os dois conversarão da forma mais aberta possível, e depois Lula deve anunciar no Salão Leste sua equipe de transição — disse um assessor do presidente.
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