BALSAS — O Poder Judiciário em Balsas realizou, nos dias 1º e 2 de outubro, duas sessões do Tribunal do Júri que terminaram com duas condenações e duas absolvições em processos relacionados a homicídios. Os julgamentos foram presididos pelo juiz Thiago Ferrare Pinto, titular da Comarca de Loreto e designado pela Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão (CGJ-MA).
Na primeira sessão, realizada em 1º de outubro, o réu Adailton Leão Barros foi absolvido pelo Conselho de Sentença da acusação de ter matado José Francisco Bastos com um golpe de facão, em janeiro de 2025.
Segundo a denúncia, José Francisco caminhava por uma via pública quando teria sido surpreendido por Adailton. O acusado teria descido do carro que dirigia e atingido a vítima com um facão, fugindo em seguida. A Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados, mas José Francisco já estava morto.
Ainda conforme o processo, imagens que circulavam nas redes sociais mostraram uma agressão contra a vítima no dia anterior ao homicídio. Adailton teria dado um tapa no rosto de José Francisco enquanto cobrava a devolução de uma lixadeira e uma furadeira, que, segundo ele, haviam sido furtadas.
Imagens do sistema de videomonitoramento também ajudaram a identificar o veículo utilizado pelo acusado e a esclarecer a dinâmica do crime.
Adailton se apresentou à polícia acompanhado de advogado e confessou ter atingido a vítima. Em seu depoimento, alegou que havia sido vítima de dois furtos praticados por José Francisco e afirmou que perdeu o controle após ser xingado durante a cobrança pela devolução dos objetos.
Segundo julgamento
Na segunda sessão, realizada em 2 de outubro, foram julgados Eduardo Leite de Sousa, Marquel Abreu Teixeira e Samara França Araújo, acusados da morte de Daniel Nascimento Barbosa, ocorrida em 13 de julho de 2024.
O Conselho de Sentença absolveu Marquel, mas condenou Eduardo a 17 anos e oito meses de prisão e Samara a 10 anos e dez meses.
De acordo com as investigações, Daniel pilotava uma motocicleta quando passou a ser perseguido por Eduardo. Durante a perseguição, a vítima foi atingida por disparos de arma de fogo. Mesmo após cair da motocicleta, Daniel teria sido novamente baleado.
As investigações apontaram que o verdadeiro alvo seria Pedro, irmão de Daniel. A vítima teria sido confundida com ele porque os dois tinham semelhança física e, no momento do crime, Daniel utilizava a motocicleta do irmão.
Rastreador ajudou no monitoramento
Ainda segundo o processo, havia um rastreador instalado na motocicleta. A instalação teria sido solicitada por Eduardo e realizada com auxílio de Marquel, proprietário de uma oficina mecânica.
Eduardo passou a acompanhar a movimentação do veículo e teria contado com a participação de Samara no monitoramento. Conforme apurado, ela teria avisado Eduardo sobre a movimentação da motocicleta no dia do crime.
Eduardo se apresentou espontaneamente à polícia, acompanhado de advogado, e confessou a autoria do homicídio, relatando a participação dos demais denunciados. Ele afirmou ainda que cometeu o crime após receber ameaças de morte do irmão da vítima.
Marquel confirmou ter mandado instalar o rastreador a pedido de Eduardo, mas alegou que não sabia quais seriam as intenções dele. Samara, por sua vez, confessou a participação no monitoramento do veículo e afirmou ter avisado Eduardo sobre a movimentação da motocicleta no dia do homicídio.
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