BACABAL - As buscas pelas crianças Ágata Isabelle, de cinco anos, e Allan Michael, de quatro anos, completam 11 dias nesta quarta-feira (14), em Bacabal, no Maranhão. As equipes atuam principalmente nos arredores do povoado São Sebastião dos Pretos, onde choveu na noite dessa terça-feira (13).
Área das buscas equivale a 400 campos de futebol, diz major do CBMMA
A repórter Regina Souza, da TV Mirante, acompanha de perto o trabalho das forças de segurança e conversou com o major Pablo, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão. Segundo ele, a área delimitada para as buscas equivale a cerca de 400 campos de futebol.
Aplicativo possibilita o registro da área vasculhada
De acordo com o major, as equipes utilizam um sistema que registra todos os locais já percorridos. Cada operador carrega um celular com um aplicativo de geolocalização que marca automaticamente o trajeto feito, permitindo um controle detalhado da área já vasculhada.
O terreno foi dividido em 45 quadrantes, e cada equipe é responsável por um deles. Enquanto parte dos agentes percorre trilhas principais, outros entram em áreas de mata fechada, com vegetação densa e de difícil acesso.
Ainda segundo as forças de segurança, uma grande parte da região já foi analisada, com o apoio de voluntários, que reforçam o trabalho no local.
“É uma dor que não desejo para ninguém”, diz mãe de crianças desaparecidas
Pela primeira vez desde o sumiço das crianças, a mãe, Clarice Cardoso, falou publicamente sobre a dor de esperar por notícias que possam levar ao reencontro com os filhos.
“Eu só espero que encontrem meus filhos. Se alguém pegou, quero saber quem foi e por quê. É isso que passa na minha cabeça o tempo todo”, desabafou.
Questionada sobre a possibilidade de as crianças estarem na mata, Clarice afirmou que não sabe o que pensar. Segundo ela, buscas já foram feitas em várias áreas da zona rural do município, mas nenhuma pista foi encontrada até o momento. Mais de 600 agentes de segurança e voluntários participam das buscas.
“Eu não sei. Já procuraram em todas as áreas ao redor e não encontraram nada”, lamentou.
O impacto emocional tem sido profundo. Clarice contou que enfrenta dificuldades para dormir e se alimentar, precisando recorrer a medicação para conseguir descansar. “Tem sido muito difícil. Precisei tomar remédio para dormir, não conseguia comer. É uma dor que não desejo para ninguém”, disse, emocionada.
A avó das crianças também relatou a angústia vivida pela família após dez dias de buscas sem respostas. Segundo Francisca Cardoso, a dor aumenta principalmente no fim da tarde, quando a esperança se mistura ao medo de não encontrar os netos.
Crianças estão desaparecidas desde 4 de janeiro
A força-tarefa reúne equipes de segurança do Maranhão, do Exército Brasileiro e voluntários mobilizados pela repercussão do caso. Os trabalhos seguem de forma ininterrupta, 24 horas por dia.
As crianças desapareceram na tarde de domingo, 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.
Três dias após o desaparecimento, Anderson Kauã, de 8 anos, que também havia sumido, foi encontrado por produtores rurais. Ele estava nu e desorientado e segue internado no Hospital Geral de Bacabal, onde recebe acompanhamento médico e psicológico.
Nessa terça-feira (13), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, informou que exames descartaram a ocorrência de violência sexual contra o menino. Segundo o governo, apesar de ter sido encontrado debilitado e sem roupas, os exames confirmaram que Anderson não foi abusado.
Kauã deverá ser ouvido por profissionais especializados
Enquanto as buscas avançam, o menino Anderson Kauã, que também estava no local no dia do desaparecimento, segue internado e se recupera bem, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Bacabal. Ele está sendo acompanhado por uma psicóloga.
Por se tratar de uma criança com transtorno do espectro autista (TEA), Kauã só será ouvido por profissionais especializados. A medida segue determinação da promotora de Justiça da Infância e Juventude, Michele Dias, com base na Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017).
Quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegaram ao município para acompanhar o caso. A equipe é formada por psicólogo e assistente social, que realizam perícias psicológica e social, além de ouvir parentes das crianças.
Eles já iniciaram entrevistas com familiares e, em um momento oportuno, farão a escuta especializada com Kauã. A expectativa das autoridades é de que o procedimento possa ajudar a esclarecer o caso e trazer pistas sobre o paradeiro dos dois desaparecidos.
Linhas de investigação
De acordo com o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, a principal linha de investigação segue sendo o desaparecimento das crianças. No entanto, outras hipóteses não foram descartadas e continuam sendo analisadas pela Polícia Civil.
Força-tarefa com mais de 600 pessoas
A operação ganhou reforço no fim de semana e conta com mais de 600 pessoas, entre agentes de segurança e voluntários.
A força-tarefa coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-MA) mobiliza policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, Força Estadual, Centro Tático Aéreo (CTA), Inteligência, Perícia Oficial, equipes da Prefeitura de Bacabal, por meio da Guarda Municipal, Defesa Civil e homens do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro.
Como é a região onde se concentram as buscas pelas crianças
As equipes enfrentam áreas de difícil acesso, com vegetação fechada, espinhos, regiões alagadas, rios e lagos. Militares do Corpo de Bombeiros avançam por terrenos considerados de alto risco. Segundo o tenente-coronel Marcos Bittencourt, do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), as equipes atuam em uma área de transição entre vegetação alta e baixa.
Durante as buscas noturnas, os bombeiros utilizam drones com câmera térmica, tecnologia capaz de identificar seres vivos por meio da variação de temperatura. "É uma mata fechada. Do helicóptero, lá de cima, não tem como visualizar. É um ambiente inóspito. A gente encontrou muitas armadilhas”, afirmou o comandante da PM-MA, coronel Wallace Amorim.
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