AÇAILÂNDIA – Uma adolescente foi filmada oferecendo um cigarro eletrônico à própria sobrinha, uma criança de apenas 2 anos, no município de Açailândia, localizado a 562 km de São Luís. O vídeo, gravado pela própria jovem e compartilhado em suas redes sociais, gerou revolta ao mostrar a criança manuseando o dispositivo e inalando a fumaça.
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O caso chegou ao conhecimento do Conselho Tutelar na noite da última segunda-feira (5). O órgão iniciou imediatamente os levantamentos necessários e, na manhã desta terça-feira (6), localizou a família da criança.
Segundo os conselheiros, os responsáveis foram notificados e receberam orientações sobre a gravidade e os riscos da exposição da criança a essas substâncias. A adolescente envolvida foi encaminhada à rede municipal de proteção e atendimento para o devido acompanhamento, conforme as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Proibição e riscos do cigarro eletrônico
Embora a comercialização de dispositivos como o vape seja proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009, a venda clandestina do cigarro eletrônico persiste em diversas regiões do país, facilitando o acesso de jovens e até crianças a esses produtos.
A Anvisa alerta que, ao contrário do que muitos acreditam, esses dispositivos não são inofensivos e não reduzem o consumo de nicotina. Estudos apontam que eles podem, na verdade, aumentar a adesão ao tabagismo convencional. Dados da Universidade de Michigan indicam que adolescentes que usam vape têm 30 vezes mais risco de se tornarem fumantes habituais.
Atualmente, estima-se que cerca de 27 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais façam uso de cigarro convencional ou eletrônico, revertendo uma tendência histórica de queda no tabagismo entre os jovens.
Substâncias tóxicas e danos à saúde
A ilusão de que o vapor é apenas "água com sabor" esconde perigos reais. Um estudo realizado pelo Laboratório de Química Atmosférica da PUC do Rio de Janeiro analisou a composição de modelos descartáveis e recarregáveis de cigarro eletrônico, revelando uma mistura de componentes altamente nocivos.
Entre as substâncias identificadas estão:
Nicotina em altas concentrações: Presente em níveis até três vezes maiores que no cigarro comum, acelerando a dependência química;
Metais pesados: Presença de níquel, prata e cromo, elementos que elevam o risco de câncer;
Acroleína: Substância irritante com alto potencial nocivo ao sistema respiratório;
Glicerina e diacetil: Compostos ligados ao desenvolvimento de bronquiolite obliterante (conhecida como “pulmão de pipoca”);
Substâncias antioxidantes: Associadas ao surgimento de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
Impactos na saúde mental
Além dos danos físicos, o uso indiscriminado do cigarro eletrônico também afeta a saúde mental. Pesquisas recentes demonstram uma relação direta entre o uso de vapes e o aumento de quadros de ansiedade e depressão na juventude.
Estatísticas do programa de tratamento da Universidade Federal Fluminense apontam que cerca de 70% dos tabagistas em acompanhamento apresentam algum transtorno psíquico associado ao vício.
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