PONTO FINAL

Defensoria aponta falhas em UTIs do Hospital da Criança em São Luís

Defensor público Davi Rafael Veras afirma que vistoria encontrou equipes médicas abaixo do quantitativo previsto e outras inconformidades.

Wesly Lima/Mirante News FM

Atualizada em 17/07/2026 às 12h16
Defensor público Davi Rafael Veras durante entrevista ao Ponto Final. (Wesly Lima/Mirante News FM)

SÃO LUÍS - A Defensoria Pública do Estado do Maranhão identificou, durante uma inspeção no Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís, problemas na composição das equipes médicas das três Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) da unidade. Em entrevista ao programa Ponto Final desta sexta-feira (17), o defensor público do Núcleo da Criança e do Adolescente, Davi Rafael Veras, afirmou que a instituição já acompanhava a situação das UTIs desde 2025 e havia alertado sobre possíveis problemas no modelo de contratação antes da realização da vistoria. 

“Nós realizamos, depois de muitas denúncias que chegaram agora no começo do ano, no início do período sazonal, a partir de março, sobretudo, maio, foram se intensificando as denúncias, usuários que nos procuram, denúncias de profissionais de saúde, denúncias anônimas, tudo que é tipo de notificação, nós passamos a perceber essa irregularidade, a pedir e solicitar informações e a realizar a inspeção que nós realizamos na quarta-feira, na unidade".

Defensoria identificou déficit de profissionais e vai compartilhar relatório

Segundo Davi Rafael Veras, durante a inspeção, havia apenas um médico plantonista em cada uma das três UTIs, quando, conforme os parâmetros citados por ele, deveria haver também um médico diarista. A vistoria também identificou uma situação em que um profissional acumulava as funções de coordenador e plantonista. O defensor afirmou ainda que foram relatados problemas relacionados ao abastecimento de medicamentos e divergências sobre os fluxos de regulação de leitos. 

A Defensoria deve compartilhar o relatório da inspeção com o Ministério Público, conselhos profissionais e órgãos de auditoria do Sistema Único de Saúde. O defensor ressaltou, no entanto, que a relação entre eventuais falhas no atendimento e mortes de crianças precisa ser investigada caso a caso: "Recebemos informações de que as crianças faleceram porque não tiveram assistência, porque ficaram na espera de leito. E aí tem que ver, caso a caso, se de fato, e aí tem que ser feito a investigação de óbito, se naquele caso, de aquela criança, houve uma má prestação, uma má assistência, uma condução equivocada. Então, isso precisa ser visto. Agora, estruturalmente, foram-se identificados pontos de desconformidade que conversam, que convergem para aquilo que nós alertávamos lá atrás. Uma contratação que poderia permitir essas situações. E agora nós vamos continuar apurando a situação".

Assista a entrevista completa.

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