SÃO LUÍS - Mais de 100 cruzes foram colocadas em frente ao Hospital da Criança, em São Luís, nesta quinta-feira (16), durante um protesto silencioso que reuniu pais que perderam os filhos, conselheiros tutelares e amigos das famílias. O ato cobra respostas sobre as mortes de crianças nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas da instituição. A manifestação ocorre enquanto o Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública, a Polícia Civil e técnicos do Ministério da Saúde investigam denúncias de supostas irregularidades no funcionamento das unidades.
Em entrevista ao repórter Domingos Ribeiro, o conselheiro tutelar Daniel Ferreira afirmou que o protesto também busca chamar a atenção do poder público para as condições de atendimento: “O nosso principal objetivo aqui é dar apoio a essas mães que perderam seus filhos por conta de um mau atendimento que foi dado dentro do Hospital da Criança, do suporte que não foi dado a essa criança e vieram a óbito".
Investigações apuram mortes e estrutura das UTIs
Segundo informações apresentadas ao Ministério Público do Maranhão, o Hospital da Criança teria registrado 113 mortes em 2025. Desse total, 101 teriam ocorrido nas três UTIs pediátricas. As denúncias também apontam que o aumento dos óbitos coincidiu com a mudança na gestão das unidades, que passaram a ser administradas pelo Instituto Brasileiro de Serviços Médicos, o IBMED. A empresa nega as irregularidades e afirma que mais de 20 médicos integram atualmente a equipe responsável pelas UTIs. A Prefeitura de São Luís também nega aumento expressivo no número de mortes e afirma que a assistência prestada seguiu protocolos técnicos e assistenciais. A gestão municipal diz ainda que o quadro de profissionais atende às exigências da Anvisa. As investigações continuam.
Ouça.
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