SÃO LUÍS – Das flores que desabrocham nos quintais até as que estampam as roupas em uma loja, o empreendedorismo feminino está em todos os lugares, seja rural ou urbano. O Atualidades, da Mirante News FM, ouviu mulheres que deram novo sentido à vida através da independência financeira.
Renda que cresce nos quintais
Na Raposa, região da Grande Ilha, mulheres viram no próprio quintal uma fonte de renda. É o caso de Leuzanira Furtado, proprietária do ‘Quintal da Leuza’, onde produz plantas ornamentais, medicinais, alimentícias não convencionais (PANcs) e aquelas que trazem memória afetiva. Após perder o emprego de agente de inspeção de bagagens no aeroporto, ela utilizou da rescisão para investir nesse novo projeto: comprou um terreno e aumentou seu quintal.
“Além dos nossos quintais, estamos na feira. Eu participo da Feira Cultural do Ministério Público uma vez por mês, mas também têm as meninas que participam da feira lá na Raposa, todo sábado”.
Uma muda pode ter raízes ancestrais, quem explica o poder da tradição é Silvia Nascimento, que possui vasto conhecimento em plantas de matriz africana. Ela contou com a ajuda da Leuza para transformar o hobby em negócio.
“Eu não participava de nenhuma feira. Eu plantava as ervas medicinais, mas era só para o uso mesmo. Aí eu conheci ela [Leuza], chegou lá na minha casa e perguntou se eu tinha algum projeto em mente. Eu disse não, ela disse ‘por que tu não faz mais mudas? A gente vende, tem umas feirinhas’. Eu falei assim, ‘mas vai dar certo?’ Ela disse 'vai’. [...] Até hoje eu vendo as mudas”.
De broto em broto, nasce um ecossistema e foi assim que Glauria Santos criou sua própria agrofloresta e transformou o ar do local onde vive.
“A agrofloresta apareceu na minha vida já há muito tempo, porque eu já tenho uma boa vivência. Praticamente, fui criada em sítios.E depois de muito tempo, voltei para o sítio e dei início ao que eu mais gosto de fazer, que é cuidar das plantas, para eu ter esse retorno, que é respirar esse ar fresco, gostoso, que a gente já não tem mais na nossa cidade”.
Todas elas fazem parte de um movimento que une mulheres da Raposa que se apoiam e crescem juntas. “Nós nos reunimos e começamos a fazer reuniões, para girar aquele movimento que a gente só tinha para a gente”, relatou Glauria.
A preciosa história de Maria José
Baixadeira, Maria José Silva saiu de São Vicente Ferrer para tentar a vida em São Luís, mas as dificuldades vieram e o sonho do próprio negócio parecia impossível. “Eu não tive essa oportunidade de estudar para empreender. Eu fiz pela circunstância, pelas dificuldades” , contou ao relembrar os obstáculos que sofreu ao longo do caminho.
Hoje em dia, Maria José é proprietária da loja Preciosa, localizada no São Luís Shopping e Monumental Shopping, especializada em moda feminina evangélica. Ela traz uma mensagem de superação e força feminina.
“Porque nós, mulheres, temos uma capacidade muito além daquilo que muitas vezes a gente acha que tem. Porque essa capacidade, ela já está dentro da gente. Se a gente analisar um pouco mais aquilo que a gente faz, aquilo que a gente tem feito, a gente vê que a gente vai muito longe. Então eu vejo o quê? Que tudo isso aqui é só o início de uma grande parceria dessas mulheres”.
Para Maria, o sucesso não é solitário, e ela credita o seu crescimento como empreendedora ao Sebrae.
“A gente tem que sempre estar buscando essa parceria. Às vezes é uma com a outra, às vezes é com outra pessoa. Por exemplo, como o Sebrae, como eu busquei. Eu vejo a necessidade de você não caminhar só, mas que você sempre busque, em parceria, alguém que possa lhe auxiliar, alguém que possa lhe ajudar, para que você chegue realmente aonde você quer chegar”.
Empreendedorismo feminino cresce no Maranhão
Segundo Marize Abdalla, analista técnica do Sebrae-MA, dos 357 mil empreendimentos ativos, 41% dos pequenos negócios formais ativos no estado são mulheres. Dados do Sebrae apontam que entre 2024 e 2026, o empreendedorismo feminino no Maranhão registrou um crescimento acumulado de quase 23%.
“Eu me encanto. Realmente, meus olhos brilham quando eu ouço esses depoimentos. Principalmente, porque eu acompanho a evolução dessas mulheres nos negócios, nos empreendimentos que são desenvolvidos aqui no estado do Maranhão”, declarou.
O papel da consultoria vai além dos números e se torna conexão de habilidades, incentivo e fortalecimento coletivo. Histórias como as de Leuzanira, Silvia, Glauria e Maria José mostram que o empreendedorismo feminino nasce da coragem de recomeçar, da troca entre mulheres e da valorização das próprias raízes. Seja cultivando plantas em quintais produtivos ou construindo marcas no comércio, elas transformam desafios em oportunidades e provam que independência também floresce quando existe apoio, união e espaço para crescer.
Veja a entrevista completa.
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