ATUALIDADES

"Ciúme não é cuidado": especialistas alertam para sinais iniciais de relacionamentos abusivos

Psicóloga, delegada e juíza discutem o papel da rede de apoio e a importância das medidas protetivas no combate à violência contra a mulher

Mirante News FM

Caroline Oliveira, Kazumi Tanaka e Marcela Lobo em entrevista ao Atualidades, com Marcelo Rodrigues. (Anna Clara Dias/Mirante News FM)

SÃO LUÍS – Durante entrevista ao Atualidades, da Mirante News FM, especialistas discutiram os sinais iniciais da violência doméstica, os desafios enfrentados por mulheres em relacionamentos abusivos e a importância das medidas protetivas para prevenir casos mais graves, como o feminicídio. 

Participaram da conversa a psicóloga Caroline Oliveira, a delegada da Polícia Civil Kazumi Tanaka e a juíza Marcela Lobo

Controle e ciúme podem ser sinais de violência

Segundo a psicóloga Caroline Oliveira, a violência dentro de um relacionamento raramente começa com agressões físicas. Ela costuma surgir de forma gradual, a partir de comportamentos de controle.

De acordo com a especialista, atitudes aparentemente pequenas –  como críticas à forma de se vestir, questionamentos constantes sobre com quem a mulher conversa ou desconfiança sobre interações cotidianas –  podem ser os primeiros indícios de uma relação abusiva.

“O homem nunca chega te dando logo um tapa de primeira, porque obviamente ele vai te assustar, mas o controle começa aí nesses pequenos comportamentos, controlar com quem você anda, com quem você fala, como você se veste, se vai trabalhar ou não, se vai ficar em casa ou não […] E depois que a mulher já está ali presa com o homem ditando tudo o que ela quer e gosta, ela começa a ficar vulnerável, porque agora quem decide sempre é ele, e ele agora tá com o poder, com o controle, tanto financeiro quanto social, quanto comportamental sobre a minha vida.”, explicou.

Caroline também alertou para a confusão comum entre ciúme e cuidado. Para ela, é preciso romper com a ideia de que o ciúme seria uma demonstração de amor.

“A gente precisa parar de normalizar que ciúme é cuidado, ciúme não é cuidado. O que é cuidado é alguém cuidar de fato de você, se preocupar com a saúde física, se preocupar com a saúde mental, levar você para lugares legais, interessantes, é alguém que se importe com a sua opinião, com o que você gosta ou deixa de gostar”, afirmou. 

Medida protetiva pode ser solicitada sem provas

A juíza Marcela Lobo explicou que a medida protetiva é um instrumento legal que pode ser solicitado quando há situação de violência, mesmo sem provas formais.

Segundo a magistrada, o relato da vítima é o elemento central para que o pedido seja analisado pela Justiça. Ela também orienta que a mulher relate todo o histórico de agressões, e não apenas o episódio mais recente. 

“Às vezes as pessoas chegam até nós com aquela noção de que ela precisa provar alguma coisa, o mais importante para a gente é o relato que ela vai trazer. […] É importante, sempre que possível, trazer um relato completo daquela situação de violência […]. Uma vez concedida a medida, a medida não é revogada sem que aquela mulher seja consultada”, disse.

Rede de apoio é fundamental

A delegada Kazumi Tanaka destacou que a atuação da polícia é apenas uma parte do enfrentamento à violência doméstica. Segundo ela, o combate a esse tipo de crime depende de uma rede de apoio formada por diversos órgãos.

“Então a gente tem que entender que a medida protetiva é um instrumento eficaz de enfrentamento à violência contra a mulher, que realmente vai salvar vidas, e para que seja de fato eficiente como nós pretendemos, é necessário que a mulher saiba estabelecer essa conexão, esse contato com o poder público, a fim de que nós tomemos conhecimento de uma aproximação dele" declarou a delegada.

Veja.

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