Troca de Ideia

Luiz Cláudio convida o francês Benoit Crauste no show Encantarias

O show “Encantarias – Luiz Cláudio convida Benoît Crauste”, será nesta quinta-feira (23/4), dia de São Jorge, na casa Low Música e Vinil, no Cohajap. O encontro entre dois artistas de trajetórias distintas, mas com algo em comum: música com experimentos

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 22/04/2026 às 23h51

A cena cultural de São Luís recebe nesta quinta-feira (23/$), dia de São Jorge, às 20h, o show “Encantarias – Luiz Cláudio convida Benoît Crauste”, na casa Low Música e Vinil, no Cohajap. O espetáculo propõe um encontro potente entre dois artistas de trajetórias distintas, unidos por afinidades estéticas e investigações sonoras em comum.

Benoit Crauste, Luiz Cláudio, conversando sobre o show Encantarias com o jornalista Pedro Sobrinho, no quadro Troca de Ideia, no Plugado, na Mirante FM. Foto: Divulgação

O projeto nasce do encontro entre o percussionista e produtor paraense Luiz Cláudio e o músico francês Benoît Crauste, recentemente radicado na capitalmaranhense. Juntos, eles convidam o público para uma imersão sensorial, onde diferentes culturas dialogam por meio de texturas, ritmos e paisagens sonoras.

No palco, o duo constrói uma experiência musical que atravessa fronteiras, conectando a força das tradições percussivas brasileiras com influências do
jazz e das músicas do mundo, em uma proposta contemporânea e experimental. O encontro entre Benoît Crauste e Luiz Cláudio acontece de forma natural, a partir de inquietações semelhantes e do interesse em explorar novas formas de expressão. Em “Encantarias”, os artistas propõem ao público uma viagem sonora sensitiva, onde suas culturas se entrelaçam em um diálogo profundo e envolvente.

Benoit Crauste e Luiz Cláudio, no Plugado, na Mirante FM. Foto: Divulgação

Sobre os artistas

Benoît Crauste, músico, compositor e saxofonista originário de Paris, construiu sua trajetória em diálogo com o jazz, a música africana e experimentações sonoras contemporâneas. Com mais de 20 anos de carreira, atuou intensamente na cena parisiense, colaborando com nomes como Tony Allen, Dele Sosimi, Kologbo e Muyiwa Kunnuji. 

Aberto às sonoridades do mundo, desenvolveu projetos em diversos países, incluindo Portugal, Marrocos e Brasil — país com o qual mantém uma relação profunda desde a infância. Em Paris, criou uma orquestra franco- brasileira ao lado de Itiberê Zwarg, reunindo 23 músicos em torno de uma proposta intercultural.

Sua pesquisa artística investiga a relação entre música, natureza e escuta, incorporando paisagens sonoras e elementos ambientais em suas composições. Seu primeiro trabalho autoral, Chuva Caiu (2020), propõe uma experiência sensorial que mescla sons da Mata Atlântica com linguagem musical contemporânea. Benoît também participou de residências artísticas na Amazônia e no interior da França, aprofundando sua investigação sobre ecologia sonora e criação musical.

No dia 24, sexta-feira, a partir das 20h, tem Benoit Crauste Quarteto, no Caçarola Bistrô, na rua de Nazaré, Centro Histórico de São Luís. O músico francês vai apresentar músicais autorais, entre outros experimentos sonoros, acompanhado de Carlos Ernane guitarra, Joares Miranda, contrabaixo e Lucas Pacheco bateria, numa realização da Youruká Produções.  

Luiz Cláudio é percussionista, produtor e pesquisador da cultura popular, natural de Belém do Pará. Radicado no Maranhão desde o final da década de 1970, desenvolveu um extenso trabalho de pesquisa de campo junto a mestres da cultura tradicional, como Mestre Bibi (Casa Nagô), Mestre Eusébio (Casa das Minas), Mestre Felipe, Mestre Leonardo (Tambor de Crioula e Boi de Zabumba), Humberto do Maracanã (Bumba meu boi) e Dona Tété (Cacuriá), entre outros.

Com uma trajetória consolidada, participou do I Colóquio Internacional de Sobrevivências Religiosas Africanas na América Latina e Caribe, a convite da UNESCO, atuando também como tradutor ao lado de importantes nomes como Sérgio Ferretti e Pierre Verger. Um dos fundadores do grupo Fogo de Mão, levou sua música a importantes eventos como o PERCPAN (Salvador) e o FAN (Belo Horizonte), além de colaborar com grandes nomes da música brasileira, como Naná Vasconcelos, Zeca Baleiro, Chico César, Rita Ribeiro
e Ceumar.

Atuou como professor e ministrante de oficinas no Brasil e no exterior,incluindo atividades para alunos da Juilliard School, em Nova York. Atualmente, desenvolve projetos autorais e dirige o selo Zabumba Records, voltado à pesquisa, registro e difusão das tradições populares do Maranhão e do Pará.

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