Recontar as histórias de pessoas pretas e indígenas registradas de forma violenta, desrespeitosa e brutal, do período referente à expedição fotográfica de cunho racista denominada “Thayer”, realizada na Amazônia, no século XIX.
Em entrevista ao Plugado, na Mirante FM, no quadro Troca de Ideia, Dinho Araújo, artista visual, disse que “este é o foco central da exposição “Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA”, integrante do projeto artístico “Direito à Memória”, diretamente de Manaus, em cartaz desde o dia 25 de março, no Chão SLZ, em São Luís”, que celebra 10 anos de existência. A mostra é idealizada e conta com direção artística assinada pela artista manauara Keila-Sankofa, e ficará em cartaz até sexta-feira, dia 3 de abril.
Além da exposição, nesta quinta-feira (2) e sexta (3), ocorrerá o minicurso, com o título “Memória interrompida: arquivos coloniais e reparação histórica”, ministrada por Patrícia Melo – responsável pela assessoria histórica da exposição. A ação, também gratuita, terá acesso livre nos dois dias de atividade.
Direito à Memória
“Direito à Memória é um projeto artístico que, desde 2019, realiza um enfrentamento contra as combinações e projetos de apagamento que se perpetuam sistematicamente, além de propor através da arte, em parceria com a história, um olhar ampliado que narra e retifica referências negativas impostas às populações negras e indígenas no território Amazônico. O Direito à Memória é uma escrita poética de humanização da memória de vidas pretas e indígenas – um cavamento histórico, que além de uma pesquisa artística, é uma ação contracolonial", define Dinho Araújo.
Parcerias
Contemplada na PNAB 2024 – Fomento à Execução de Ações Culturais de Artes e realizada com o apoio do Governo do Estado do Amazonas/Conselho Estadual de Cultura/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, em parceria com o Governo Federal, a exposição, idealizada e com direção artística assinada pela artista manauara Keila-Sankofa, surge de um incômodo legítimo de modificação da imagem pública das pessoas pretas e indígenas, apresentando um passado remodelado.
Com a mostra, o objetivo central é criar possibilidades para uma edição da memória pública e imagética destas pessoas fotografadas nesta expedição. Para Keila-Sankofa, as teorias racistas científicas criadas para justificar uma suposta superioridade racial nesse período, se perpetuam no imaginário até os tempos de agora.
Dentro da exposição “Costura de Cores Ancestrais - A RETOMADA”, a transmutação da imagem é utilizada para contar uma parte da história de pessoas pretas e indígenas, possibilitando através da poética, uma identidade para essas pessoas, utilizando da revisitação histórica para construir imaginários como uma ferramenta para transversão da história oficial.
Assim, a mostra atua na ressignificação dos cativos presos nas fotografias em seres livres e com sua humanidade escrita, transformando-os em obras bandeiras que provam a existência desses indivíduos sociais e suas importâncias.
A iniciativa já foi realizada em outros três lugares – todos em Manaus, como: Largo de São Sebastião, Trilha do Musa no Angelim de 500 anos e no Salão do Museu da Amazônia - MUSA. Keila-Sankofa destaca que a estreia no Maranhão é o primeiro lugar fora do estado do Amazonas em que a exposição circula.
Para mais informações sobre a mostra, acesse as redes sociais do Chão SLZ (https://www.instagram.com/chaoslz/), da artista Keila-Sankofa (https://www.instagram.com/keilasankofa/) e do Projeto “Direito à Memória” (https://www.instagram.com/direitoamemoria/).
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