COLUNA
João Ricardo
Jornalista e radialista que aborda assuntos diversos como esporte, política e entretenimento, por isso, a coluna propõe um debate em forma de artigos sobre o Maranhão.
NOVELA DA INTERVENÇÃO

A FMF não precisa de mais audiência. Precisa de eleição

Enquanto a conciliação segue sem avanços, dirigentes começam a se movimentar nos bastidores da disputa que vai definir o futuro do futebol maranhense

JOÃO RICARDO

Entrada da FMF, no Palácio dos Esportes, no Centro de São Luís (Divulgação / FMF)

Uma terceira audiência para tentar conciliar as partes envolvidas no impasse administrativo da Federação Maranhense de Futebol (FMF). Que perda de tempo.

A Vara de Interesses Difusos e Coletivos marcou para o dia 13 de novembro uma nova rodada de negociações envolvendo a intervenção, a diretoria afastada, a CBF, o Ministério Público e todos os demais interessados no processo.

Digo que é perda de tempo porque, nas duas tentativas anteriores, que acompanhei presencialmente, não se saiu do lugar. Houve até um esboço de consenso em alguns pontos, mas, no fim das contas, não houve conciliação.

Esta terceira tentativa tende a ter o mesmo resultado. Afinal, uma discussão que já ultrapassa um ano e segue se arrastando deverá voltar ao STF, onde todos aguardam uma definição do ministro Flávio Dino para destravar o processo e permitir, enfim, a realização da eleição na FMF.

E é justamente aí que chegamos ao ponto principal de toda essa história: a eleição da Federação Maranhense de Futebol.

O presidente da Liga de Turiaçu, Ivan Martins, divulgou um vídeo informando que esteve na sede da Federação e, segundo ele, quitou as pendências existentes e atualizou toda a documentação necessária para que a Liga esteja apta a participar plenamente das atividades da FMF.

No vídeo, ele não fala diretamente sobre a eleição. Mas é razoável imaginar que o movimento da Liga de Turiaçu esteja sendo acompanhado por outras entidades interessadas em integrar esse processo de regularização e, posteriormente, ampliar sua participação nas competições organizadas pela Federação. Ainda segundo Ivan Martins, falta apenas o sinal verde da entidade para confirmar a regularização completa da Liga.

Em meio a esse processo de atualização cadastral dos filiados, alguns nomes já começam a se movimentar para uma disputa que ainda não tem data definida.

Vejo Eurico Pacífico percorrendo o estado com o Movimento pela Transformação do Futebol Maranhense, promovendo reuniões em São Luís e em outras cidades do estado. É importante que exista esse espaço para ouvir as demandas de clubes e ligas e já encaminhar algumas ações futuras.

E, como quero acreditar, quem vencer a eleição para a presidência da FMF deverá ser o principal agente comercial do futebol maranhense. A próxima gestão será cobrada por atrair novos investimentos, renovar o interesse do torcedor e transformar o futebol do Maranhão em um produto de entretenimento competitivo e sustentável. Não é pra ser fácil. É pra ser feito!

Além de Eurico, que mesmo sem confirmar candidatura parece seguir um caminho natural rumo à disputa, há também o presidente do Maranhão Atlético Clube, Carlos Eduardo Dias. O dirigente afirmou que ainda não sabe se concorrerá à reeleição no clube, com eleição marcada pra este fim de 2026. Vejo esse movimento como um sinal de alguém que administra atualmente o único clube maranhense na Série C do Campeonato Brasileiro e que quer ampliar seu campo de atuação para além da realidade de uma única instituição.

Outros nomes certamente podem surgir.

Mas é importante que fique claro para o torcedor, que não participa diretamente da votação: os representantes dos clubes e das ligas precisam colocar na FMF alguém capaz de fazer aquilo que os próprios dirigentes, muitas vezes, não conseguem. O foco deve estar, repito, no comercial.

Se o futebol for administrado como uma fonte sustentável de receita para todos os envolvidos, isso significará que ele voltou a ser aceito e consumido pelo torcedor. E, no fim das contas, o torcedor é um consumidor apaixonado pela marca que representa seu clube e sua comunidade.

Até mesmo a relevante função social do futebol depende dessa retomada comercial. Só haverá impacto social mais amplo se houver interesse do público, patrocinadores motivados e uma engrenagem econômica funcionando de forma saudável.

Que a intervenção termine logo. Que mais ligas consigam se regularizar, com a agilidade necessária também por parte da própria intervenção da FMF. E que, a partir de 2027, o futebol do Maranhão volte a ser, de fato, O FUTEBOL MARANHENSE.


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