Maranhense Carlos Vinícius lembra início em Bom Jesus das Selvas e bastidores com Mourinho
Atacante de Bom Jesus das Selvas soma nove gols no campeonato e relembrou passagens por Santos, Palmeiras, Napoli, Benfica e Tottenham.
SÃO LUÍS – O atacante maranhense Carlos Vinícius Alves Morais, do Grêmio, vive sua melhor fase no futebol brasileiro aos 31 anos e aparece entre os vice-artilheiros do Campeonato Brasileiro de 2026. Natural de Bom Jesus das Selvas, ele falou ao quadro Abre Aspas, do ge, sobre a infância no Maranhão, a mudança de posição na base e os trabalhos com técnicos como Carlo Ancelotti, Jorge Jesus e José Mourinho.
Depois de anos no exterior, com passagens por Portugal, Itália, Mônaco, Holanda, Inglaterra e Turquia, Carlos Vinícius voltou ao Brasil para defender o Grêmio. No Brasileirão, ele soma nove gols e aparece atrás de Kevin Viveros, do Athletico, empatado com Pedro, do Flamengo, na segunda posição da artilharia.
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Saída do Maranhão mudou a carreira
Na entrevista, Carlos Vinícius lembrou que saiu de Bom Jesus das Selvas ainda adolescente para tentar a carreira no futebol em Goiânia. A mudança foi uma decisão da mãe, que buscava mais oportunidades para ele e para a irmã.
— O início foi logo quando eu saí de Bom Jesus das Selvas, com 13 anos acho eu, para Goiânia. Meu pai faleceu em 2018, e minha mãe já foi com esse pensamento para nos dar oportunidade. Para minha irmã em outras áreas e para mim dentro do futebol — contou.
O atacante disse que conheceu Flávio Ribeiro, seu empresário até hoje, em uma escolinha. Foi durante um campeonato em Jataí, em Goiás, que um olheiro do Santos o viu jogar. Poucos dias depois, ele já estava no clube paulista.
A ida para São Paulo assustou a família. Segundo Carlos Vinícius, a mãe ficou com medo após ver relatos de jovens levados para testes e abandonados longe de casa.
— Para nós, de Bom Jesus das Selvas, São Paulo é um centro muito distante. É quase que um país, né? Então, é muito assustador — afirmou.
De zagueiro a centroavante
Antes de virar goleador, Carlos Vinícius passou por várias funções. Ele chegou ao Santos como meia-atacante, mas também atuou como volante e zagueiro nas categorias de base.
Segundo o jogador, a mudança ocorreu porque um treinador da base entendia que atletas altos deveriam atuar mais recuados. Mesmo contrariado, o maranhense disse que encarou a adaptação como uma chance de permanecer no futebol.
— Eu dizia: "tenho que dar tudo, porque se eu não for bem, eles vão me mandar embora". Esse era o meu pensamento.
A virada para o ataque aconteceu no Palmeiras, já perto do fim da formação. Carlos Vinícius passou a treinar como centroavante e encontrou a posição em que mais se destacou. Depois, passou por Caldense e Grêmio Anápolis antes de ganhar uma chance no Real Sport Clube, de Portugal.
Europa abriu portas para grandes técnicos
O atacante afirmou que chegou a pensar em desistir da carreira quando estava no futebol goiano. A oportunidade em Portugal mudou o rumo da história. Pouco tempo depois, ele assinou contrato com o Napoli e trabalhou em duas pré-temporadas com Carlo Ancelotti, hoje técnico da Seleção Brasileira.
— Foi um tempo curto, duas pré-temporadas com o Ancelotti, mas nota-se que ele tem uma qualidade muito grande, que é saber lidar com os craques. É saber levar o futebol de uma forma não só dentro de campo, mas fora.
Carlos Vinícius também destacou a importância de Jorge Jesus, com quem trabalhou no Benfica. Para ele, o treinador português foi um professor no aspecto tático e ajudou a desenvolver seu jogo.
— O Jorge Jesus foi um treinador de ensino, um professor.
No Tottenham, da Inglaterra, o maranhense trabalhou com José Mourinho. Ele contou que se surpreendeu com a forma como o técnico português se aproximou antes mesmo da chegada ao clube.
— Ele me ligou pelo FaceTime, eu olhei e falei: mentira.
Carlos Vinícius disse que Mourinho o testou durante treinos com jogadores que não seriam relacionados para as partidas. Depois de alguns dias, o treinador o chamou e disse que poderia contar com ele.
— Quando ele volta e diz assim: "já vi que tu é dos meus, posso contar contigo". Ou seja, ele estava me testando.
Hoje no Grêmio, Carlos Vinícius vê a própria trajetória como uma história de superação. Da saída de Bom Jesus das Selvas à artilharia no Brasil, o atacante maranhense afirma que prefere olhar para frente.
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