Copa do Mundo

Estudo aponta risco de calor extremo em jogos da Copa de 2026

Análise climática aponta que cerca de 25% das partidas podem ocorrer acima dos limites recomendados para segurança de atletas e torcedores.

Gustavo Coelho/Imirante Esporte

Estudo aponta risco de calor extremo em um quarto dos jogos da Copa de 2026 (Divulgação/FIFA)

ESTADOS UNIDOS – O sindicato global dos jogadores de futebol, a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPRO), voltou a manifestar preocupação com o calor durante a Copa do Mundo de 2026, que será disputada entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, México e Canadá. O alerta foi reforçado após uma análise do grupo World Weather Attribution apontar aumento do risco de partidas em condições perigosas para atletas e torcedores.

Segundo o estudo, cerca de um quarto dos 104 jogos do torneio ampliado pode ocorrer acima dos limites de segurança recomendados pela FIFPRO. O índice é quase o dobro do risco registrado na Copa do Mundo de 1994, também realizada nos Estados Unidos.

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Estudo aponta risco em jogos da Copa

A análise indica que aproximadamente cinco partidas podem ser disputadas em condições consideradas inseguras. Nesses casos, a recomendação da FIFPRO é adiar os jogos.

Os pesquisadores avaliaram os riscos com base nos horários das partidas e no índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT). O indicador mede o estresse térmico ao considerar fatores como temperatura, umidade, vento e radiação solar.

“As estimativas sobre a probabilidade de jogos da Copa do Mundo de 2026 serem disputados em condições elevadas de WBGT estão alinhadas com os cálculos publicados pela FIFPRO em 2023”, afirmou o diretor médico da entidade, Vincent Gouttebarge.

“Essas estimativas justificam a necessidade e a implementação de uma série de estratégias de mitigação para proteger melhor a saúde e o desempenho dos jogadores quando expostos a condições de calor”, acrescentou.

FIFPRO defende medidas de proteção

A FIFPRO recomenda medidas de resfriamento quando o WBGT ultrapassa 26°C. A entidade também defende o adiamento das partidas quando o índice supera 28°C, nível considerado perigoso para a prática esportiva em alta intensidade.

A Fifa informou que preparou um plano específico para lidar com o risco de calor. Entre as medidas previstas estão pausas de três minutos para hidratação em cada tempo, estruturas de resfriamento para jogadores e torcedores, adaptação dos períodos de trabalho e descanso e reforço da preparação médica conforme as condições em tempo real.

Mesmo assim, o estudo aponta que mais de um terço das partidas com pelo menos 10% de chance de ultrapassar os 26°C de WBGT está marcado para arenas sem ar-condicionado. A lista inclui cidades como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.

Final também está no alerta

Entre os jogos com risco está a final da Copa do Mundo, marcada para o MetLife Stadium, em East Rutherford, em Nova Jersey. De acordo com a análise, o estádio tem uma chance de uma em oito de ultrapassar o limite de 26°C de WBGT e risco de cerca de 3% de atingir níveis ainda mais perigosos.

A professora de ciência climática do Imperial College London, Friederike Otto, afirmou que os resultados reforçam a necessidade de a Fifa reconsiderar o período de realização de futuras Copas do Mundo, especialmente em regiões vulneráveis ao calor extremo no verão.

“Do ponto de vista da saúde, seria aconselhável realizar essas Copas mais cedo ou mais tarde no ano, para que se tenha uma festa do futebol e não algo que represente um enorme risco à saúde para toda a cidade”, afirmou Otto.

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