SÃO LUÍS - São Luís recebe, pela primeira vez, um festival dedicado às artes cênicas pretas. Entre os dias 13 e 17 de outubro, o Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão terá programação gratuita em diferentes espaços da capital, reunindo espetáculos, performances, cenas curtas e oficinas com artistas do Maranhão e de outros cinco estados brasileiros.
A programação passa por teatros, praças e escolas e reúne trabalhos de diferentes linguagens e territórios. Além dos artistas maranhenses, participam produções de Minas Gerais, Ceará, São Paulo, Paraná e Bahia.
A abertura oficial do festival ocorre antes da programação principal, nesta quinta-feira (9), às 19h, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), na Praia Grande. O público poderá assistir à performance “Ninho”, de Leônidas Portella, e conhecer a programação completa do evento.
Espetáculos e performances
Entre os espetáculos que integram a programação estão “Língua de Boi”, da Cia Maranhense, “A Flor do Mulungu”, do Coletivo Mulungu, e “Mover-se como Plantas”, da Plataforma GANG, todos do Maranhão.
O festival também recebe trabalhos de outros estados, como “À Sombra da Goiabeira”, do Teatro Negro e Atitude (MG), “Malemole”, da Companhia Déborah Santos (CE), “O Tiro”, de Luiz Lucas (MG), e “Histórias da Terra”, do Grupo Baquetá (PR).
De São Paulo, o público poderá acompanhar “Parto Pavilhão”, com Aysha Nascimento, direção de Naruna Costa e texto de Jhonny Salaberg.
Na programação de performances estão “Abayomis”, de Ayanna Monteiro, Angel Karvalho e Jennifer Froes; “Insaciável”, de Tamia Machado; “Cuidado com Nós”, de Aquariane; “Oculto”, de Ruan Francisco; e “Yarara Xaxará”, de Tiyê Macau.
Para a produtora Larissa Ferreira, uma das idealizadoras do festival, a reunião de artistas de diferentes lugares é uma das propostas do evento.
“Queremos que o festival seja um espaço onde diferentes expressões das artes cênicas negras possam se encontrar. Temos artistas do Maranhão dialogando com produções de outros estados, diferentes gerações, linguagens e formas de pensar a cena”, destaca.
Programação também chega às escolas
As atividades de formação são outro eixo do festival. Serão oferecidas oficinas de teatro, dança, dramaturgia, cultura popular e produção criativa, com atividades conduzidas por artistas e pesquisadores do Maranhão e de outros estados.
Entre elas estão “Estética da Atitude” e “Poética da Negrura”, do Teatro Negro e Atitude (MG), e “Dançar a Floresta com as Yabás”, com Inaê Moreira (BA).
A programação também será levada para escolas da rede pública de São Luís. A proposta é aproximar estudantes das artes cênicas e das narrativas negras por meio de apresentações e ações educativas.
As cenas curtas “Dinamitadora”, do Alumiou Núcleo de Expressões Artísticas, e “Insurgência”, de Lúcia Gato, estão entre os trabalhos previstos para as escolas.
Festival começa com “Ninho”
A apresentação de “Ninho”, de Leônidas Portella, marca o primeiro contato do público com o festival. A performance é o primeiro fragmento de “Revoada”, espetáculo ainda em construção a partir de uma investigação sobre corpo, território, memória e transformação.
Após a apresentação, as produtoras Júlia Martins e Larissa Ferreira apresentam a proposta do festival e os detalhes da programação. A noite também terá a participação de patrocinadores e apoiadores do projeto.
Para Júlia Martins, realizar o evento no Maranhão tem relação com a própria formação cultural do estado.
“Realizar um festival dedicado às artes cênicas pretas no Maranhão tem uma força simbólica muito grande. Estamos em um território profundamente marcado pela presença e pelas contribuições da população negra, pela ancestralidade e por manifestações culturais que atravessam a nossa própria maneira de produzir arte”, afirma.
O Festival de Artes Cênicas Preta do Maranhão é realizado pela Afrodite Produções, apresentado pelo Ministério da Cultura e tem patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), além de patrocínio do Sebrae e apoio do Sesc Maranhão, Centro Cultural Vale Maranhão, Secretaria Municipal de Cultura de São Luís, Curso de Licenciatura em Teatro da UFMA e Maximus Transportes.
A programação completa pode ser consultada no perfil @festivaldeartescenicaspretama.
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