A Geração Z está ouvindo Djavan em alto e bom som
Djavan, que lançou seu 26º disco e celebra 50 anos de carreira em turnê nacional, aparece entre os mais ouvidos do MPB no Spotify pela Geração Z, atrás apenas de Anavitória, Liniker, Tribalistas e Seu Jorge.
Essa conversa que "bom mesmo é a música do meu tempo", pra mim está sempre em discussão em rodas de conversa quando o assunto é gosto musical. É óbvio, ao ouvirmos uma música que a gente gosta, (ela) nos remete a um tempo, tempo esse pra mim que não para.
Sou daquela teoria da tradição e modernidade são filhas da mesma mãe. Se estamos vivos o que nos resta é compreender que "o nosso tempo também é o presente". Até porque quando uma música é construída como uma obra-prima, requinte harmônico e poético jamais oxida, torna-se atemporal, ou seja, atravessa pelo tempo. Um exemplo disso é o cantor e compositor alagoano Djavan.
É bom que se diga: a geração Z está ouvindo MPB — e não é só nas colagens do MTG, o estilo de remixes que tem bombado nas redes sociais misturando clássicos brasileiros com batidas de funk. Em meio à audição cheia de ecletismo dessa rapaziada está Djavan como um dos prediletos.
Bôdas de Ouro
A turnê "Djavanear 50 anos" Só Sucessos”, celebrando cinco décadas da carreira de Djavan, passando por arenas e estádios no Brasil, coroa uma verdadeira "djavanmania", entre a juventude geração Z. Já que a audição dessa galera está nas plataformas de streaming, entre outras ferramentas virtuais, só no Spotify, 47% da audiência de Djavan é formada por pessoas entre 18 e 29 anos — são 5,9 milhões de ouvintes mensais e, entre janeiro e junho, as reproduções na plataforma cresceram 48% na comparação com o mesmo período de 2025 no Brasil. Já no app TikTok, Um Amor Puro virou Trend: aparece em mais de 100.000 publicações. Haja hastags !
Djavamania em São Luís
Pude constatar in loco quando entrevistei o DJ Paulo Pontes e o cantor, compositor Seu Garrê, dois jovens ludovicenses fissurados no conjunto da obra do artista alagoano. A dupla organizou uma festa para reverenciar o artista alagoano, no Solar Cultural Maria Firmina dos Reis, em São Luís, com lotação máxima. Ao perguntar aos dois sobre a "djavanmania" que alimenta os ouvidos deles, foram unânimes em dizer que admiram a facilidade com que Djavan tem para falar de amor. “É um forma que todo mundo entende., sem falar que ele consegue incursionar pelo jazz, R&B, samba, falando de amor”, argumentaram.
Reação de Djavan diante do assédio geracional
Aclamado pelos queridinhos mais novos Djavan diz estar feliz com a nova leva de fãs. O cantor, que lançou seu 26º disco aparece entre os mais ouvidos do MPB no Spotify pela Geração Z, atrás apenas de ANAVITÓRIA, Liniker, Tribalistas e Seu Jorge. Djavan reconhece que a renovação de seu público não é um movimento recente, mas percebeu um crescimento incomum nos últimos anos.
"Com a internet, a coisa veio se acentuando, e eu espero que isso continue. O que que você acha: você ser assediado por um garoto ou uma garota de 12 anos de idade pelo que você escreve, pelo que você diz, pelo que você canta? É um presente", celebra Djavan.
Um artista de coração aberto ao novo
Djavan não é apenas ídolo da Geração Z, mas também um curioso daquilo que os mais novos produzem e consomem.
"Eu acho que a nova geração traz uma pegada musical, digamos assim, muito, muito fresca, muito nova. Eu tenho ouvido, por exemplo, as mesmas coisas que os meus filhos mais jovens e os meus netos ouvem e aprendo muito com eles", conta.
Ele, que recentemente emprestou seus versos para o rapper BK em "Só Eu Sei", quer seguir sendo instigado pelo que os mais novos produzem.
"Eu tenho uma música que reflete uma diversidade muito grande sobre todos os gêneros e tudo, e ainda assim, conhecendo o que eu conheço, me surpreende de alguma maneira em vários momentos, a forma de arranjo que eles têm, o que eles escrevem, como eles dizem, a música que eles fazem... Tudo isso tem aguçado a minha curiosidade, porque são coisas que não estão no meu radar naturalmente. Isso é muito bom para mim, tem sido muito bom.
Djavan se mantém relevante entre os mais novos com a mesma lírica que o fez grande no passado. Celebrando 50 anos de carreira, ele lançou na última semana o disco "Improviso", com 11 canções inéditas e recentes -- em que fala de amor porque precisa, diz ele.
"É um tema que eu não diria nem recorrente. Ele é um tema perpétuo, porque a vida é isso. A vida sem amor não é vida. E como o amor é dinâmico, ele nunca se repete, nem mesmo na própria pessoa, na mesma pessoa. A gente falar de amor não é se repetir, jamais. É o contrário. É você mergulhar num universo único e novo, sempre", defende Djavan.
Djavan sempre na pista
Djavan observa que o interesse dos jovens por sua obra sempre existiu mas, ultimamente, tem sido “muito, muito grande mesmo”.
“Todos os eventos que têm acontecido envolvendo meu nome denotam que eu ‘tô na pista”, diverte-se. “É uma coisa maravilhosa, o pagamento por uma vida dedicada à música”, comemora.
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