COLUNA
Pergentino Holanda
O colunista aborda em sua página diária os acontecimentos sociais do Maranhão e traz, também, notícias sobre outros estados e países, incluindo informações das áreas econômica e política.
Pergentino Holanda

PH: Norueguês fez infância do Brasil chorar

E mais: O novo ciclo de Ancelotti

PH

Erling Haaland – o gigante norueguês que fez as crianças do Brasil chorar e deixou muito triste a torcida brasileira na Copa de 2026

Não aguento mais a palavra hexa

Concordo com todos os que dizem que não aguentam mais a palavra hexa. Domingo, o Brasil foi passivo, foi a passeio, foi preguiçoso, foi pachorrento.

Não se mostrou objetivo com a profusão de chances. Desperdiçou o que o destino ofereceu.

Completaremos mais um ciclo sem Copa do Mundo. Serão 28 anos, a maior abstinência de nossa história. Confesso que não aguento mais ouvir a palavra “hexa”. Confesso que fiquei emocionado vendo as crianças chorando após a pior campanha da Seleção Brasileira desde 1990.

Tornou-se a aposentadoria melancólica de Neymar, deixando um gol de honra nos acréscimos, que mais pareceu de comiseração. Ele se reduziu a um coadjuvante em quatro edições do torneio. Encarna uma geração consumida pelas sombras.

Outra vez a queda

Num 5 de julho de 1982 eu estava em Paris, de onde acompanhei os jogos do Brasil na Copa do Mundo reunido com outros brasileiros num apartamento da Place de Italy, onde morava o maranhense João Vicente Abreu. Quando deixei a Cidade Luz e desembarquei em São Paulo comprei um exemplar do jornal A Tarde. Na capa, a foto de uma criança com a bandeira do Brasil chorando pela derrota do Brasil para a Itália, em confronto que ficou conhecido como a Tragédia do Sarriá”.

Aqui, vi as crianças chorando domingo após a derrota para a Noruega. Da mesma forma senti uma pancada no meu coração.

O Brasil esqueceu como levantar a taça

Quem nasceu depois de julho de 2002 nunca viu o Brasil levantar a taça. Não sabe como é isso. Desaprendemos a ganhar.

A Noruega nem precisou de muito esforço para vencer por 2 a 1 no MetLife Stadium, em Nova Jersey, na tarde de ontem. A Seleção Brasileira terminou com 34% de posse de bola, seu menor índice de todos os tempos (medição desde 1966).

O plantel desacreditado antes da Copa superou as expectativas mais pessimistas. Não quebramos o tabu de jamais ter superado o oponente da Escandinávia. Somos fregueses. Em cinco jogos disputados entre as equipes, são três derrotas, duas em Copas do Mundo.

O Brasil ficou menor

O fiorde nos apequenou. Enfrentamos gigantes: Nyland, goleiro, em grande atuação; Ajer e Heggem, zagueiros; Berge, volante; Sorloth e Haaland, atacantes, todos com mais de 1,90m, dominando o céu e a terra.

Haaland assumiu a artilharia da competição, com sete gols. Quando tocou na bola, fez. Não existe um matador tão sangue-frio quanto ele. São 62 gols pela Noruega em 54 partidas, o que é inacreditável.

Ele cabeceou como se fosse fácil. Arrematou de fora da área como se fosse simples. Alisson se esticou ao máximo enquanto ele realizava o seu básico. Não havia nenhuma expressão de cansaço, nenhum suor escorrendo de seu rosto, nenhum esgar de explosão.

Era um semideus de rabo de cavalo no meio de meros mortais, um Thor com o martelo da testa e do chute.

Os noruegueses mereceram. Exemplificaram em campo as cores da sua bandeira: o vermelho pelo sangue derramado; o branco pela postura gélida como a neve; e o azul por buscar, mais do que nós, a imensidão dos céus e dos mares.

A Saga dos Volsungos

Existe uma lenda da tradição nórdica, a Saga dos Volsungos, preservada na Islândia medieval e oriunda do imaginário dos antigos povos escandinavos da Era Viking, em que o herói Sigurd mata o dragão Fafnir. Ao provar acidentalmente o sangue do dragão, passa a compreender a linguagem dos pássaros. O triunfo o transforma. O vencedor leva consigo parte da força e do destino do vencido.

Que a Noruega absorva em seu DNA a esperança do torcedor brasileiro, e siga encantando como uma improvável campeã.

Pois praticou a imortalidade da reputação. Não lutou de qualquer jeito, mas sempre bravamente, com o queixo erguido, enxergando-nos do alto, esparramados e letárgicos no chão.

O Brasil mereceu cair

Não há do que se queixar, torcida brasileira. O Brasil criou cinco chances de gol e transformou o goleiro adversário em destaque, vi acontecer em 2018 com o belga Courtois. O Brasil não marcou o camisa 10 armador do adversário, Odegaard, vi acontecer em 2022 com o croata Modric. Repetimos erros, não agregamos acertos e estamos fora nas oitavas de final para a Noruega. Os caras mereceram e não foi só Haaland. Foi uma estratégia de esperar o Brasil e servir o melhor centroavante do mundo.

Bobb entrou bem por um lado, Schjelderup por outro, a Noruega passou a ser perigosa ao longo de um segundo tempo em que já começou melhor. Perdemos, consagramos o goleiro e, cereja azeda do bolo, Ancelotti delegou ao filho a primeira entrevista pós-eliminação. Uma atitude varzeana inaceitável de um dos melhores treinadores do mundo. Assim, não quero. Acaba o ciclo de Neymar, Casemiro e Danilo, vem aí um ciclo inteiro de Ancelotti para começar tudo de novo. Não tenho reparo ao resultado de campo. O Brasil mereceu sair.

O novo ciclo de Ancelotti

Agora o ciclo inteiro de Carlo Ancelotti abre em setembro. A tristeza profunda decorrente da saída nas oitavas – nas oitavas! – vai fazer mal ao futebol brasileiro por um tempo, uma espécie de luto. Depois, é preciso reagir.

A renovação antecipada de Ancelotti foi precipitada, a cobrança sobre ele será dura e tem que ser. A dor de uma performance tão pobre na Copa dos EUA vai perdurar, que seja mola propulsora para outro tempo. Este tempo acabou.

Alemanha, Holanda e Brasil são os gigantes que terão que revisar seus processos. Não no modo Queima Plantação, mas tendo coragem para fazer as cirurgias que se façam necessárias. E não serão poucas ou superficiais. Com currículo indiscutível, Ancelotti terá que descobrir jogadores em posições desérticas, como a lateral-direita. Sem isso, esquece.

O Brasil está se apequenando no futebol. Duro e triste dizer isso, mas é a pura realidade. Vini Jr. seria coadjuvante nos ciclos vencedores. Hoje é o protagonista. Danilo e Douglas Santos são piada perto de Cafu, Júnior, Nilton Santos. Nossa qualidade vem caindo. Há muito por discutir. E o ponto de partida é não ver injustiça ou azar. Fosse uma vez só, tudo bem. Mas África, Rússia, Catar, EUA? O futebol brasileiro está se apequenando. Repete roteiro das cinco Copas anteriores ao cair diante do primeiro europeu a surgir no caminho no mata-mata. Temos de encarar essa realidade. 

O que o Brasil ganhou

O Brasil fatura quantia milionária após queda nas oitavas da Copa do Mundo. Apesar de ser eliminado pela Noruega, o Brasil deixa o torneio com uma premiação significativa.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) receberá cerca de R$ 131,8 milhões pela participação da Seleção no Mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México. 

A maior parte do valor corresponde ao prêmio destinado às equipes que terminaram entre a nona e a 16ª colocação da competição. Pela campanha encerrada nas oitavas, o Brasil garantiu US$ 15 milhões (aproximadamente R$ 77,5 milhões). Além disso, a Fifa concedeu a todas as 48 seleções participantes uma cota fixa de US$ 10,5 milhões, incluindo recursos voltados para a preparação das equipes.

Recorde de distribuição financeira

A edição de 2026 registra um novo recorde de distribuição financeira. Ao todo, a Fifa reservou US$ 727 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) para premiar as seleções, valor aproximadamente 50% superior ao montante distribuído na Copa do Mundo de 2022, no Catar. 

O campeão do torneio receberá US$ 50 milhões, a maior premiação já paga pela Fifa. Para efeito de comparação, a Argentina, campeã da edição de 2022, faturou US$ 42 milhões. 

Neimar Jr. – a própria imagem de um Brasil derrotado e de cabeça baixa

DE RELANCE

Maxx e inteligência de dados

São Luís será palco, nesta segunda-feira (6 de junho) de um encontro exclusivo que reunirá empresários e executivos de grandes empresas locais para discutir uma das maiores oportunidades da economia digital: a transformação de dados em crescimento real de negócios.

O evento Innovation Day conta com o apoio local da operadora Maxx, empresa maranhense de tecnologia, telefonia móvel e celular, TVB HD e internet 100%.

O jantar para convidados, que acontece às 19h, no Hotel Blue Tree, vai explicar em detalhes como funciona na prática o conceito de Google Físico; que representa a capacidade de uma empresa de transformar seus ambientes físicos e pontos de vendas (PDV) em fontes contínuas de inteligência de dados; identificando comportamentos, interesses e jornadas dos consumidores para gerar relacionamento, conversão e novas receitas.

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A palestra “Google Físico: Como Transformar Presença em Dados, Dados em Clientes e Clientes em Receita” será realizada por um expert em inteligência de dados, Felipe Ferreira da Tall Telecom (SP), que coleciona cases de sucesso nas áreas de publicidade segmentada, dados e insights digitais.

O objetivo do evento é apresentar essa nova visão sobre a importância dos dados proprietários em um cenário onde a aquisição de clientes se torna cada vez mais cara e menos eficiente nos canais tradicionais.

A proposta é simples, mas poderosa: empresas que aprendem a identificar, compreender e se relacionar com as pessoas que passam por seus ambientes físicos criam uma vantagem competitiva difícil de ser replicada.

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Durante a palestra, serão apresentados conceitos, estratégias e casos reais que demonstram como negócios dos mais diversos segmentos estão transformando o fluxo de pessoas em inteligência de mercado, inteligência em oportunidades comerciais e oportunidades em novas fontes de receita.

O encontro também abordará tendências globais relacionadas à monetização de audiência, inteligência artificial, dados proprietários e personalização da experiência do cliente, mostrando por que as empresas que dominarem esse conceito serão as que mais crescerão nos próximos anos.

Mais do que uma palestra, o evento promete provocar uma reflexão estratégica sobre o futuro dos negócios em uma economia cada vez mais orientada por dados. Além dos conceitos e tendências de mercado, os participantes terão a oportunidade de conhecer uma solução já consolidada no mercado brasileiro, desenvolvida para transformar presença física em inteligência de dados, relacionamento e geração de receita.

Expert em inteligência de dados, Felipe Ferreira da Tall Telecom (SP),  é o palestrante da noite de hoje no Innovation Day. Ele coleciona cases de sucesso nas áreas de publicidade segmentada, dados e insights digitais

Para escrever na pedra:

“No futebol, quem ganha e perde é a alma”. De Nelson Rodrigues.

TRIVIAL VARIADO

Imposto cashback

A Receita Federal marcou para 15 de julho pagamento de um lote especial de restituição automática do Imposto de Renda, iniciativa conhecida como cashback do IR. O pagamento será feito a contribuintes que não estavam obrigados a declarar em 2025, mas tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2024.

A propósito: Vale lembrar que esse lote não se confunde com os lotes regulares destinados a contribuintes que transmitiram declaração e seguem calendário próprio. Nesse caso, o segundo lote foi pago em 30 de junho e os próximos estão previstos para 31 de julho e 31 de agosto de 2026.

Conscientização: A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou parecer favorável ao projeto de lei que institui a Semana Nacional da Consciência Digital Infantil.

Tem mais: Entre as ações previstas na proposição estão o uso seguro e responsável da internet e redes sociais, a prevenção ao cyberbullying, crimes cibernéticos e desafios perigosos, além da identificação e combate à exposição a conteúdos impróprios, a promoção da saúde mental diante do uso excessivo de telas, o estímulo à cidadania digital e o respeito aos direitos humanos no ambiente virtual. 


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