SÃO LUÍS - O que acontece quando a rotina de um motorista comum cruza o caminho do sobrenatural? Essa é a ideia que move "O Motorista", HQ criada pelo artista visual e quadrinista maranhense Waldeir Brito, que vem conquistando leitores ao misturar elementos do cotidiano ludovicense com acontecimentos inexplicáveis.
Produzida de forma independente em São Luís, a história já conta com duas edições publicadas. A primeira foi lançada em 2021 e a segunda chegou ao público em maio de 2026, ampliando o universo da obra e consolidando o projeto.
No centro da narrativa está Antônio, um motorista terceirizado que vive situações aparentemente comuns, mas que acabam ganhando contornos sobrenaturais. A inspiração para o personagem veio de novo, muito próximo do autor.
Um personagem nascido da vida real
Segundo Waldeir Brito, Antônio foi construído a partir da imagem e da rotina de seu pai, que trabalha como motorista terceirizado. Até mesmo a aparência física do personagem foi inspirada nele antes de uma cirurgia bariátrica.
Apesar da inspiração direta, o autor faz questão de destacar que o pai não possui nenhuma ligação especial com fenômenos sobrenaturais. A ideia surgiu justamente da curiosidade de imaginar como seriam histórias simples do dia a dia se fossem atravessadas por acontecimentos misteriosos.
Cultura maranhense como inspiração
A valorização das referências locais é uma das marcas do trabalho de Waldeir Brito. Em seus projetos, elementos da cultura popular maranhense aparecem reinterpretados, sem perder suas características essenciais.
"Eu faço algumas reinterpretações dentro do que a cultura permite fazer, tipo, até onde ela pode ser modificada, mas ainda ser reconhecida", contou. Além de O Motorista, o artista também desenvolve outros projetos autorais, como "O Mangu e o Raio", quadrinho ainda em andamento que também dialoga com o imaginário maranhense.
Trajetória construída pelo desenho
O interesse pela arte acompanha Waldeir desde a infância. No entanto, a atuação profissional começou por volta de 2015, quando passou a trabalhar com encomendas de ilustração sem deixar de lado seus projetos autorais.
"Sempre desenhei, desde criança. Mas profissionalmente mesmo, comecei a atuar em meados de 2015, mais ou menos. Trabalhando com ilustração através de encomendas, mas sempre produzindo autoral. O que me fez produzir exposições".
Feira fortalece artistas locais
Além dos quadrinhos e ilustrações, Waldeir também está à frente da Feira de Desenhistas, evento que reúne artistas independentes e aproxima o público da produção visual feita no Maranhão.
Para ele, a iniciativa funciona como um importante espaço de troca e visibilidade para criadores que muitas vezes encontram dificuldades para viver da própria arte.
"Bem, eu fiz as minhas exposições e tal, mas o evento onde comecei a reunir artistas foi na Feira de Desenhistas. É bem importante o evento. [...] Existem muitos artistas, mas é possível ver como faltam espaços e movimentações para que eles possam se sentir seguros a produzir mais arte", lamenta Waldeir.
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