Quando uma série de decisões políticas, econômicas e tecnológicas levam a Terra ao colapso, as pessoas não têm outra opção senão buscar uma maneira de sobreviver em outro lugar. A partir de investimentos de trilionários que dominam a maioria dos recursos financeiros, cientistas descobrem um planeta gêmeo e iniciam pesquisas para esquematizar o domínio do local. No ano de 2117, as frotas terrestres invadem esse novo mundo cósmico chamado “Verde” com ataques brutais.
A premissa da obra de ficção científica Cinzas do futuro, do escritor e médico Paulo Alexandre Negreiros de Andrade, percorre alguns dos principais problemas da contemporaneidade em uma narrativa envolvente e crítica na mesma medida. Ao abordar o aumento contínuo da concentração de renda, a desigualdade social extrema, a superexploração dos recursos naturais e o avanço da inteligência artificial que potencializa a destruição ambiental, o livro constrói uma trama futurista baseada nos acontecimentos do século XXI.
Em Verde, situações semelhantes ocorreram, mas seus habitantes encontraram soluções para viver em harmonia. Essa paz é abalada no momento em que os invasores chegam e iniciam uma guerra cruel, liderada por elites gananciosas e uma I.A. sem controle humano. Com o estabelecimento de um novo regime, chips neurais são instaurados para o controle total da população, que se torna prisioneira da tecnologia.
Mas ainda há resistência. Em meio aos conflitos, o Grupo dos Cinco se estabelece e reúne um bando nômade de jovens que lideram a revolução. Enquanto engenheiros como Kael e Mina utilizam seus conhecimentos para sabotar o sistema que ameaça o planeta, o movimento rebelde descobre as memórias de um antigo ancião que parece ter as respostas para reconstituir o equilíbrio.
Futuro distópico
Ao atravessar as fronteiras entre ciência e arte, o real e o imaginário, o íntimo e o coletivo, Cinzas do futuro convida a imergir em um futuro distópico que se apresenta como um cenário plausível diante das experiências atuais. Mas, ao também retratar a aliança improvável entre terráqueos e verdianos, a trama valoriza as vozes dissidentes e revela sua força para a transformação do mundo.
"Minha intenção é que o livro funcione como uma reflexão sobre o destino da humanidade. Nenhuma civilização é permanente. Assim como impérios históricos ruíram, a Terra também pode entrar em decadência. Ainda busco refletir sobre como a tecnologia não é uma solução universal, porque, quando ela é controlada por elites sem visão e empatia, e sem a consciência que vivemos em um planeta emprestado, estamos acelerando desigualdades e destruição ambiental”, complementa Paulo Alexandre Negreiros de Andrade.
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