Tradição, música e dança

Dia Estadual do Cacuriá celebra legado de Dona Teté e valoriza tradição maranhense

Data criada em homenagem ao aniversário de Dona Teté reforça a importância do Cacuriá como símbolo da cultura popular do Maranhão

Na Mira

Atualizada em 27/06/2026 às 09h20
Cacuriá: entenda a história da dança maranhense celebrada em 27 de junho. (Foto: Jânio Ferreira)

SÃO LUÍS – Celebrado em 27 de junho, o Dia Estadual do Cacuriá destaca uma das manifestações mais marcantes da cultura popular maranhense e homenageia o legado de Dona Teté, nome artístico de Almerice da Silva Santos, considerada a maior referência do ritmo no Maranhão.

A data foi instituída pela Lei nº 12.583/2025 e lembra o aniversário da artista, que ajudou a popularizar o Cacuriá e tornou a dança conhecida dentro e fora do Estado.

Data valoriza uma das danças mais tradicionais do Maranhão

De acordo com a lei, o Dia Estadual do Cacuriá tem como objetivo valorizar, preservar e promover essa manifestação artística, incentivando apresentações, oficinas, debates, atividades culturais e ações educativas sobre sua importância histórica e social.

O Cacuriá reúne dança, música, religiosidade, sensualidade e tradição. A manifestação é conduzida pelo ritmo das Caixas do Divino e marcada por toadas, movimentos coreografados, improvisação e forte interação com o público.

Origem do Cacuriá começou em São Luís

Segundo a jornalista e pesquisadora Inara Rodrigues, autora do livro Vem cá curiar o cacuriá, a dança surgiu em 1973, em São Luís, criada pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como Seu Lauro.

A manifestação tem inspiração no Carimbó das Caixeiras, realizado ao fim da Festa do Divino Espírito Santo. Também chamada de bambaê de caixa, a dança das caixeiras acontece após a derrubada do mastro, momento que marca o encerramento da festividade.

Com movimentos sensuais e toadas de duplo sentido, o Cacuriá ganhou identidade própria e se tornou uma das expressões mais reconhecidas do folclore maranhense.

Dona Teté ajudou a popularizar o Cacuriá

Dona Teté integrou o Cacuriá de Seu Lauro e logo chamou atenção pela irreverência, versatilidade e forma marcante de cantar, tocar caixa e dançar.

Em 1980, ela foi convidada pelo Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte) para participar de uma peça teatral. Seis anos depois, com incentivo de Nelson Brito, então coordenador do Laborarte, criou o grupo que ficou conhecido como Cacuriá de Dona Teté.

Por sua forte presença artística e pela contribuição à difusão da dança, muita gente passou a associar Dona Teté diretamente à criação do Cacuriá, embora a origem da manifestação seja atribuída a Seu Lauro.

Como é a dança do Cacuriá

Dia Estadual do Cacuriá celebra tradição maranhense. (Foto: Divulgação/Governo do Maranhão)

No Cacuriá, os brincantes dançam em pares, geralmente organizados em roda, também chamada de cordão. Os movimentos incluem rebolado, improvisação, contato corporal, sorrisos e troca de olhares com o público, tornando a apresentação vibrante e envolvente.

O ritmo mistura elementos de marcha, valsa e samba. As toadas costumam abordar temas ligados à natureza, religiosidade, brincadeiras populares e vivências do povo maranhense. Uma pessoa inicia os versos, que são respondidos em coro pelos demais participantes.

Além das Caixas do Divino, a formação musical pode incluir instrumentos como banjo, violão, clarinete e flauta.

Figurino colorido também marca a tradição

As roupas do Cacuriá chamam atenção pelas cores e estampas. As mulheres costumam usar blusas curtas, saias longas e rodadas, além de flores nos cabelos. Já os homens vestem coletes, calças curtas ou peças bordadas que acompanham as cores do figurino feminino.

Mais do que uma dança, o Cacuriá expressa a identidade, a memória e a alegria do povo maranhense. Com a criação da data estadual, a tradição ganha ainda mais reconhecimento e reforça o papel de Dona Teté como um dos grandes nomes da cultura popular do Maranhão.

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