VIROU TRADIÇÃO!

Moradores transformam as ruas de São Luís com decoração inspirada na Copa e no São João

Da Rua do Giz à Cohab, moradores capricharam na decoração e criaram cenários que misturam tradição junina, futebol e espírito comunitário.

Imirante.com

Atualizada em 12/06/2026 às 11h19

SÃO LUÍS - Em São Luís, o ritmo do São João se juntou com a paixão pelo futebol para criar uma festa em dose dupla. Como a Copa do Mundo de 2026 coincide com o período junino, a tradicional decoração do Centro Histórico está de cara nova, unindo duas das maiores paixões dos brasileiros em um só cenário. A decoração também se estende por outras ruas da capital, como no bairro Tibirizinho e na Rua 12, no bairro Cohab.

Embora o clima de “arraiá” verde e amarelo esteja espalhado por quase todo o Centro Histórico, é na famosa Rua do Giz, eleita uma das ruas mais bonitas do Brasil pela revista Casa Vogue, que a decoração ganha um charme especial. 

O tradicional colorido das festas de São João cedeu espaço às cores da Seleção Brasileira, transformando a rua em um ponto de parada obrigatório. O Imirante conferiu de perto esse encontro entre o clima junino e a paixão pelo futebol.

Tradição completa quase 30 anos na Cohab

Do outro lado da cidade, no bairro Cohab, a tradição de pintar o asfalto, pendurar bandeirinhas e vestir as cores do Brasil segue mais viva do que nunca na Rua 12.

Moradores se reúnem desde 1998 para fazerem decoração. (Foto: Reprodução/Rua 12)

A mobilização começou há quase 30 anos, ainda em 1998. Em 2026, o cenário não é diferente, com o verde e amarelo já tomando conta da rua, as bandeiras estão estendidas entre as casas e as camisas da Seleção Brasileira viraram uniforme oficial dos moradores.

A decoração da rua se transformou em um símbolo de união comunitária. Durante os jogos da Seleção, moradores e visitantes se reúnem para acompanhar as partidas e torcer juntos pela "amarelinha".

De vaquinha a bingo, decoração envolve todos os moradores

Segundo Paulo Lima, um dos organizadores da ação, a preparação é feita de forma coletiva e envolve praticamente toda a vizinhança. “Desde 1998 a gente faz essa organização. Os moradores contribuem com uma arrecadação e também realizamos rifas, bingos e outras ações para conseguir recursos para a decoração”, explica.

Conciliar as despesas e o tempo de cada moradores são os maiores desafios. (Foto: Reprodução/Rua 12)

O que começou como uma celebração da Copa acabou se tornando uma marca registrada da comunidade. Para Paulo, o valor da tradição vai muito além do futebol.

“Isso vem dos nossos avós, passou para os nossos pais e agora está com a gente. Decorar a rua para a Copa, para o São João e até para o Carnaval mostra que continuamos sendo a mesma comunidade que se reunia para jogar vôlei na rua há décadas”, conta.

Ex-moradores sempre voltam para ajudar na decoração

Mesmo quem já deixou o bairro costuma participar de alguma forma. Alguns retornam para ajudar na pintura, outros colaboram financeiramente ou acompanham a organização à distância.

“Muita gente já se mudou, mas nessa época faz questão de participar. Vai ajudar a pintar, desenhar ou manda algum apoio. Todo mundo encontra uma forma de fazer parte”, afirma.

Ex-moradores voltam para ajudar na decoração. (Foto: Reprodução/Rua 12)

Manter a tradição exige esforço. A rotina corrida dos moradores e os custos para produzir toda a decoração estão entre os principais desafios. O preço da tinta e dos tecidos que formam a decoração são divididos entre os moradores, o que exige muito comprometimento de todos.

Conseguir conciliar tudo isso é complicado, mas a gente faz acontecer”, destaca Paulo.

Tibirizinho também entra no clima de festa

Já no bairro Tibirizinho, os moradores se uniram para transformar uma das ladeiras da região em um enorme tapete verde e amarelo, com elementos que unem a cultura maranhense e a paixão pelo futebol, como um Bumba Meu Boi nas cores verde, amarelo e azul. 

A iniciativa partiu de Jasf Andrade, morador e integrante do movimento "Sonhos de Quebrada". Com cerca de 700 metros quadrados de pintura, a meta era ousada: criar a maior arte de rua do Maranhão.

Decoração no tibirizinho tomou conta da rua inteira. (Foto: Jasf Andrade/Sonhos de Quebrada)

A pintura cobre a rua de ponta a ponta, sem deixar o asfalto à mostra. O resultado tem atraído visitantes de outros bairros, que vão ao local para conhecer a obra e tirar fotos.

"Ela parece um tapete, parece que é uma praça. A rua inteira [está pintada], e ela é muito grande", orgulha-se o morador.

Decoração no Tibirizinho tem 50 pessoas trabalhando 

Nos bastidores, o maior desafio foi a logística. Para concluir a obra de 700 m², Jasf conta que foi preciso coordenar cerca de 50 pessoas trabalhando simultaneamente.

"O mais difícil de tudo é organizar 50 pessoas pintando em uma rua para não tropeçar na tinta, não sair derramando, não desmanchar o desenho que já foi feito. Organizar todo esse processo e, depois, pensar no que todo mundo vai almoçar, porque a equipe fica lá o dia inteiro. É a parte mais complicada", relata.

Cultura popular é homenageada no Tibirizinho. (Foto: Jasf Andrade/Sonhos de Quebrada)

A ideia inicial do grupo era ter apenas uma via decorada como representante do bairro, mas o sucesso da primeira ladeira fez com que outras ruas pedissem a pintura. Segundo Jasf, a equipe já finalizou os trabalhos em uma segunda avenida principal e iniciou a pintura de uma terceira.

"O objetivo é que abrace a todos, para que a galera se sinta representada quando passar e não fique algo exclusivo, fechado dentro de um gueto. O Tibirizinho vai ficar quase todo colorido", afirma.

Tradição fala mais alto que a esperança pelo hexa

O projeto também teve como motivação o resgate de uma cultura forte nas décadas de 1970 a 1990, e que começou a perder força nos anos 2000. Apesar de todo o empenho na decoração, o clima em relação ao desempenho da Seleção Brasileira não é o mesmo de outras épocas. 

Maranhense Wesley, jogador da Seleção Brasileira, também foi homenageado. (Foto: Jasf Andrade/Sonhos de Quebrada)

Segundo Jasf, os resultados recentes da equipe diminuíram a ansiedade pelos jogos em comparação com as Copas anteriores ao pentacampeonato, em 2002. Hoje, para a comunidade, o evento ganhou um significado muito mais social do que esportivo.

"Representa a união, esse momento de suspender um pouquinho as questões sociais ou financeiras que cada um pode estar passando e brincar com o lúdico, com a felicidade momentânea que é a Copa do Mundo", conclui.

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