Pinduca é uma das atrações do Arte Nossa Festival em São Luís
O festival, que ocorre dias 18 e 19 de junho, vai celebrar o tambor de crioula, os saberes quilombolas com apresentações de 15 grupos maranhenses, oficinas, rodas de conversa para fortalecer a Política Nacional de Salvaguarda deste patrimônio brasileiro.
São Luís vai celebrar dias 18 e 19 deste mês, o Arte Nossa Festival para celebrar o tambor de crioula e os saberes quilombolas em São Luís.
Pungada Ancestral
Idealizado e coordenado por Simei Dantas, o festival nasceu com o propósito de fortalecer a Política Nacional de Salvaguarda do Tambor de Crioula e ampliar o reconhecimento das diversas formas de expressão dessa manifestação afro-brasileira, contribuindo para a continuidade dos saberes tradicionais entre as novas gerações. O cantor e compositor paraense Pinduca também participa do festival como único convidado de fora.
"Será uma grande ação de valorização, preservação e fortalecimento do Tambor de Crioula do Maranhão, patrimônio cultural imaterial do Brasil. O evento promoverá o encontro entre grupos da capital e de comunidades quilombolas do interior do estado, como das cidades de Anajatuba, Rosário, Mirinzal, Cajapió e Santa Rita., reunindo apresentações culturais, atividades formativas e espaços de troca de saberes ancestrais. O encerramento da programação cultural será marcado pelo show do cantor paraense Pinduca, considerado um dos maiores representantes do carimbó e conhecido nacionalmente como o "Rei do Carimbó". A apresentação será no dia 19 de junho, às 23h, na Praça das Mercês, reunindo ritmos amazônicos que dialogam com as tradições populares do Norte e Nordeste. Com uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas à cultura popular brasileira, o artista promete encerrar o festival em clima de celebração da ancestralidade, da diversidade cultural e da integração entre os povos e suas manifestações tradicionais", ressalta Simei.
Oficinas formativas
Além das apresentações culturais, o Arte Nossa Festival investe na formação e no compartilhamento de conhecimentos por meio de seminário, oficinas e rodas de conversa - incluindo jovens de escolas públicas - voltadas para temas relacionados à salvaguarda do patrimônio cultural, políticas públicas, cultura quilombola, educação, direitos e valorização das tradições populares.
As atividades formativas reúnem pesquisadores, gestores culturais, mestres e mestras da cultura popular e representantes de comunidades quilombolas, promovendo um ambiente de diálogo e construção coletiva sobre os desafios e perspectivas da preservação do patrimônio imaterial.
A programação inclui ainda oficinas práticas de canto, dança e toques do tambor de crioula, além de rodas de conversa sobre experiências quilombolas e diferentes formas de expressão da manifestação cultural no Maranhão.Tambor de crioula e a relação com São Benedito.
Origem, Patrimônio e Pertencimento
O Tambor de Crioula é uma expressão afro-brasileira de origem maranhense que envolve música, dança de roda e cantoria, profundamente marcada pela ancestralidade e devoção a São Benedito. A salvaguarda se caracteriza pelo registro e fomento advindo das políticas públicas e ações de preservação criadas para garantir a continuidade, transmissão de saberes e valorização dessa tradição, respeitando seus detentores.
Em 18 de junho de 2007, o Tambor de Crioula do Maranhão foi o primeiro bem cultural maranhense a ser reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IPHAN). Com esse título, a manifestação foi inscrita no Livro das Formas de Expressão, o que obrigou o Estado a desenvolver o seu Plano de Salvaguarda para proteger e promover a prática.
Esta manifestação cultural maranhense é profundamente entrelaçada à devoção a São Benedito e une fé, resistência e celebração, onde os participantes dançam e cantam ao som de tambores em louvor ao santo, considerado o protetor dos negros. Na tradição oral do estado, a relação entre São Benedito e o Tambor de Crioula possui forte apelo mítico e religioso.
De acordo com as narrativas repassadas por mestres e mestras da cultura popular, São Benedito aparece como o padroeiro das rodas. Uma das lendas mais populares conta que o santo teria sido um escravo que foi para a mata, cortou um tronco de árvore para fazer um tambor e ensinou os outros negros a tocar e a festejar.
Por esse motivo, o Tambor de Crioula é muito mais do que uma forma de entretenimento, é um ritual de devoção. É comum que os grupos façam saudações específicas a São Benedito, no início ou ao longo das apresentações, misturando o sagrado e o profano em um ato de agradecimento ou pedido de proteção.
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