COLUNA
Cena & Som
Entre câmeras e playlists, vive Bruna Castelo Branco, jornalista cultural e diretora de TV que respira entretenimento. Fala (com paixão e um pouco de drama) sobre filmes, séries e mús
Coluna Cena & Som

Wyra’u Haw mostra rito de passagem como experiência coletiva

Documentário maranhense lançado em fevereiro percorre festivais ao revelar a força simbólica, espiritual e cultural do Ritual da Menina Moça do povo Tenetehar.

Bruna Castelo Branco

Atualizada em 27/05/2026 às 18h24
Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça. Foto: Divulgação

Existe algo de muito raro em alguns documentários  que é a capacidade de fazer o espectador sentir que não está apenas assistindo a um filme, mas sendo convidado a entrar em um território que pode parecer distante e, ao mesmo tempo, guarda pontos de contato com experiências humanas universais. É isso que propõe o documentário Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça, que teve pré-estreia em fevereiro deste ano e agora segue em circulação por festivais. O filme chama atenção pela maneira respeitosa e sensível com que se aproxima de um dos rituais mais importantes do povo Tenetehar: o rito de passagem da infância para a adolescência, marcado pela chegada da menstruação.

Foto: Divulgação

A menstruação, marcada por muitos rituais, tradições e crenças aparece ali como uma experiência coletiva e festiva daquela comunidade. O rito de passagem para a despedida da infância e os desafios da vida de uma mulher modifica todo o ecossistema social. Elas se despedem da infância sob olhar e celebração de todos ali. Dali em diante, novos cuidados físicos e espirituais farão parte da vida daquela adolescente. 

Dirigido por Taciano Brito e Silvio Guajajara, o documentário acompanha o Wyra’u Haw, conhecido como Ritual da Menina Moça, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão. O rito aparece como um grande encontro coletivo entre memória, espiritualidade, território e continuidade cultural, mobilizando toda a comunidade Tenetehar.

Menina Moça. Foto: Divulgação

O filme evita transformar a experiência ritual em algo totalmente explicado para quem está de fora. A obra retrata os momentos ritualísticos sem apressar significados ou recorrer a um excesso de didatismo. Os sentidos vão sendo construídos ao longo da narrativa, sempre em diálogo com a tradição e com o próprio do ritual.

Um cinema construído pela convivência

Gravado ao longo de anos no Território Indígena Araribóia, o documentário nasce de uma relação de proximidade com as comunidades retratadas. Isso aparece nas escolhas estéticas do filme. A câmera acompanha os acontecimentos sem invadir os espaços, respeitando os gestos, opiniões, os corpos e os momentos de preparação. O olhar construído ao longo de mais de uma década de convivência de Taciano Brito com os povos Tenetehar também contribui para essa sensação de intimidade e confiança.

Foto: Divulgação

As sequências da floresta, das caçadas, das pinturas corporais e dos cantos tradicionais criam uma experiência sensorial que amplia a percepção sobre outras formas de organização do tempo, da espiritualidade e dos processos coletivos de formação social. O filme convida o espectador a compreender o rito não apenas como tradição, mas como prática viva de transmissão de saberes.

Ao iniciar sua trajetória pelos festivais, Wyra’u Haw – O Ritual da Menina Moça também reforça a potência do cinema maranhense contemporâneo quando se volta para histórias construídas a partir do território, da escuta e da preservação da memória coletiva. Mais do que um registro cultural, o documentário se afirma como um espaço de permanência e continuidade de saberes que seguem vivos justamente porque continuam sendo compartilhados entre gerações.

Foto: Divulgação

Equipe Técnica:

Direção - Taciano Brito e Silvio Guajajara

Roteiro - Taciano Brito, Silvio Guajajara e Fabiana Guajajara

Produção Executiva - Carolina Jordão

Produção - Studio A 

Coprodução - Katufilm

Direção de Produção - Carolina Jordão e Taciano Brito

Produção local - Fabiana Guajajara

Direção de fotografia - Fábio Barros e Taciano Brito

Montagem - Luiza Fernandes e Taciano Brito

Trilha sonora e Sound design - Plínio Profeta

Color - Fábio Barros

Finalização - Fábio Barros 

Câmera - Taciano Brito, Fabio Barros, Vicente Simão, Patrick Raynaud e Helton Guajajara

Assistentes de câmera: Nilton Carlos, Helton Guajajara, Juba e Fernandes 

Som direto - Cahii

Drone - Jules Corbel

Tradução do Tupi - Antonio Guajajara, Davi Guajajara 

Consultoria Indígena - Antônio Guajajara, Davi Guajajara 

Acessibilidade: Filmes que voam


As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.